25 de outubro de 2008

A translucência e a maior emoção de todas

Nossa, é difícil descrever o que eu senti quando ouvi: "Tudo perfeito!" Gente do céu, te ver formadinho, já grandinho, foi indescritível. Quando você resolveu mostrar o pezinho e a mãozinha então, me apaixonei. Eu nunca tinha sentido nada parecido - nem no casamento, nem na descoberta da gravidez, nem nos primeiros ultrassons, em nenhuma super viagem internacional, nada, nada se compara! É um sensação de prazer, de plenitude ímpar. E ainda hoje, aos cinco meses de gestação, estou para dizer que aquele foi o momento mais feliz até agora. E olha que a gente é feliz todo dia, hein, Rafa!?!
A translucência era o exame que mais me afligia. Já tinha lido quase tudo sobre e sabia que através dele, uma série de síndromes poderiam ser identificadas. Seu pai dizia que era pura bobeira minha, que não ia ter nada... sua avó também. Mas não tem jeito, enquanto eu não vi e ouvi que estava tudo nota dez eu ainda tinha uma apreensão. Foi o primeiro exame na nova clínica, o Centro Paulista de Medicina Fetal. Longe da nossa casa, lá na Vila Clementino, perto da Vila Mariana. Pra variar, o perrengue do trânsito. Saímos de casa umas 4h10 e o exame estava marcado para às 17h30. Seu pai pegou a Paulista. Foi a pior opção! Quando o trânsito parou, literalmente, eu me desesperei. Acredite se quiser, ficamos uns 20 minutos para andar 1 quarteirão...Só sei que deu 5h20 e a gente ainda estava longe. Tudo parado! Pra quê, resolvi ligar para a clínica. Parece até judiação, mas a mulher disse que se eu não chegasse em 15 minutos, ela não garantiria que o exame seria feito. Gente, é brincadeira, né? Justo a translucência, o meu grito de guerra!? Chegar à 12a semana de gestação parece que foi o período que mais demorou a passar, de tanta ansiedade para fazer o tal exame. Eu já tinha resolvido que só contaria da gravidez no trabalho e para os amigos (para quem o seu pai ainda não tinha contado, claro) depois do exame. Além do mais, eu precisava ter certeza de que estava tudo bem com você. No desespero, resolvi descer do carro e pegar um metrô, numa estação logo ao lado do mega congestionamento. Fui...
Vixe, parecia que eu estava junto com a torcida do Corinthians lá dentro. Um horror! Gente empurrando de uma forma que eu ia no fluxo, levada pela multidão. Ainda tive que fazer baldeação para pegar o trem certo. Foi uma loucura, mas eu queria te ver. Da estação final ainda tive que pegar um táxi para chegar à clínica o mais rápido possível. Quando despontei na esquina, adivinha o que vi? O carro do seu pai! Lei de Murphy total! Desci do carro, me meti no meio do povão no desespero para não perder a data e o seu pai ainda chegou antes. Tudo bem... Era umas 6h da tarde e a punição por termos nos atrasado meia hora foi termos sido deixados por último. Só entramos na sala para fazer o exame umas 7h, 7h30. Mas quando chegou a nossa vez, te ver compensou o esforço. Eu não me esqueço, seu pai sabatinou a médica. Ele fazia cada pergunta que a mulher deve ter ficado desconcertada. Foi assim: primeiro ela começou a ver as medidas - fêmur, osso nasal, nuca... e a cada uma delas descartava a possibilidade de síndrome. Disse que estava tudo ótimo, perfeito, várias vezes. Eu tinha vontade de sair gritando para o mundo: o meu nenem é perfeito!!! Daí ela disse que ia ver se dava para olhar o sexo. A gente já sabia que talvez fosse possível e eu estava confiando que conseguiríamos porque a Dra. Paula insistiu na clínica e disse que eles só fazem isso, exames pré-natais. Portanto, as chances da médica conseguir ver eram de fato grandes. De repente ela disse: "Olha, tudo indica que vai ser um menino, hein?!" Eu ri! Seu pai: "Então é um menino doutora!?". Ela disse: "80% de chance." Daí ele disparou: "Mas qual é o percentual de erro? Quais as chances de ser isso mesmo? A senhora mais erra ou mais acerta? ". Eu confesso que achei maravilhoso, mas enquanto ele mordia, eu assoprava: "Meu amor, olha o que você está perguntando...o que é isso!". A médica disse com um tom de brincadeira: "Se eu mais errasse, eu nem abria a boca, né?!" rs. Pronto, foi o suficiente para, a partir desse momento, o seu pai sair contando para todo mundo que o filho que a gente esperava era um menino! Ele mandou até email dizendo isso para os amigos! Ai, ai, ai... ela disse 80 e ele ouviu 100%. Não tinha quem o fizesse dizer: "tudo indica que será um menino", como eu fazia até ter certeza absoluta de que você é um menino.
Independentemente disso, para mim, o forte do exame foi saber que estava tudo bem. Liguei para todo mundo: vó Paula, tio Pedro, vô Marcos, vó Nair, Tia Beth, Bia, Laura... e mandei mensagens para Larissa, Cris de Salvador... fui espalhando a notícia.
Saímos de lá e fomos jantar no JAM, aquele Japa super bacana do Itaim, que a gente ama. Nossa, foi uma maravilha... Seu pai ficou só pensando em você ser um menino. Ele disse: "Nossa, Pri, vai ser tudo diferente mesmo agora, né?! Um menino...". Estava emocionado, feliz, orgulhoso. Eu posso dizer que aquele foi um dia em que eu ganhei a vida! Não faltava nada, graças a Deus.

Sua mãe

3 comentários:

biamignolo disse...

Que delícia amiga!
Estou super emocionada, acompanhando cada detalhe da chegada do Rafa.
O mais engraçado foi vc ter feito o percurso de carro, metro e taxi, e mesmo assim o Marco ter chegado um pouquinho antes... coisas da Pri.
Rafa, como gosto dessa sua mãe!
A primeira vista (morro de medo de escrever algo errado, ela não deixa escapar nada, é expert no português...) parece uma maluquinha, mas uma maluquinha super segura, responsável e batalhadora.
Admiro muito ela, sempre admirei, e tenho certeza que com você não é diferente!
Te amo amiga, você é muito especial.
Deus abençoe sua família!

Priscilla e Marco disse...

Bia, que legal que você visitou nosso blog, quer dizer, do Rafael. Ainda estamos apanhando um pouco, para fazer o upload de uma foto então é um sacrifício! Prometemos mais fotos para breve da barriga linda da Pri! beijo, Marco

lau_ferreira disse...

Eiiitttaaaa!!!!
Tb me lembro dessa aventura como se fosse ontem.
E sei bem como esse exame de TN mexe com as mães.
Mas te dizia o tempo todo. "Mesmo se o valor for alto não se preocupe, vai dar tudo certo."
E dá-lhe potinhos com morangos no café!!!