3 de julho de 2011

"Você é mãe daquele menino? Ele é um barato!"


Mais uma da série O QUE FALAM DE VOCÊ. Estava eu, no taxi, sexta-feira, dia 01/06, indo para o trabalho. Chamei um do ponto da esquina, já que o meu carro estava na oficina. (Foi consertar a mega batida de ré no portão de casa, graças ao freio de mão mal puxado na quarta-feira, véspera do Corpus Christi, quando cheguei voando em casa para tentar te pegar acordado por causa da febre). Bom, aí fui dizer para o taxista do ponto que eu não o conhecia, mas que achava até estranho já que conhecia quase todos. Foi quando disse: “Até o meu filho de 2 anos conhece todo mundo!” Daí ele disparou a frase título deste post: "Você é a mãe daquele menino? Ele é um barato!” Não lembrava o seu nome, mas disse que quando você aparece na rua, todos dizem: “Olha ele lá, vamos ver o que ele vai aprontar hoje!” E eu rindo, já de início. Daqui a pouco ele, que se chama Júnior, conta que te veem no skate, tentando se equilibrar e ficam tensos… achando que vai cair. Mas que você fica lá, se mostrando, mais ou menos assim: “Ó, tô no skate!". Ele disse ainda que você chega no ponto e canta aquela música, nas palavras dele próprio: “Quero não, posso não, minha babá não deixa não! “ e ria… Aliás, ríamos! Foi engraçado! Ele contava as coisas surpreso. Dizia que você era demais, que falava tudo… que como podia cantar essa música? Que todo mundo não se aguenta, que você é diversão garantida. Acho que essa música é da época da babá Gisele, que ouvia rádio sem parar, inclusive na sua companhia. Mas eu já sabia que você conhecia a tal música porque uma vez emendou um trecho no que o Lúcio, repórter amigo do seu pai, estava cantando no clube. Foi engraçado.


Depois, ao falar do skate, ele dizia: Gente, imagina o que esse menino apronta em casa… ou algo assim. E eu, toda levinha, pós-sessão de análise, feliz da vida com o meu novo Rafael e com a minha nova versão mãe. Estamos os dois muito melhores. Enquanto ele contava, eu enchia o peito de orgulho e de reflexão: “Que coisa, olha como o Rafael é mesmo um menino conhecido, simpático, que marca presença, de quem as pessoas gostam, que faz amizade fácil, falante, conversador, contador de história, cantor, dançarino, skatista!” Só conseguia ver as coisas boas da sua personalidade durante todo o caminho até o trabalho. Essa capacidade coincidiu com a minha alegria de mais cedo, ao contar na sessão que você estava mais amoroso, mais calmo, menos agressivo, menos mandão. Que o feriado na casa da vó Nair, vô Agripino e tio Du, com tantos primos e tios, tinha sido só alegria. Bom, ainda tem tudo isso de forte na sua personalidade, mas o trabalho que eu tenho feito – na análise e com você – tem dado bastante resultado. Eu estava contando que tenho conseguido rir de algumas coisas, que me estresso menos com outras, que dou palmada no bumbum sempre que acho que merece, principalmente porque descobri e não tenho vergonha de admitir que não sou zen budista e nem pretendo me tornar! Mais: tenho consigo me expressar melhor na hora de te tentar fazer perceber que você só tem 2 anos, ao contrário do que você sente. Tenho te chamado de “Meu pequeno”, “Meu nenem”… coisas que você não gosta, mas que, como bem disse a psicanalista, “não reage com agressividade!”Nessa hora, que te trato dessa forma, somos um brincando com o outro. Verdade! Você faz que não gosta ou, pelo menos, tenta resistir, mas eu continuo e você nem bravo fica. Depois, tenho tentando insistentemente não demonstrar tanta admiração pelas suas capacidades motoras e verbais. Descobri que essa admiração aparente, minha e do seu pai, mais evidente ainda – já que ele, como um Nascimento legítimo, te acha incomparável e fora de série – faz com que você se sinta maior do que você é. Você é uma criança esperta, mas igual a todas as outras espertas. Articulada, mas igual às articuladas. Coordenado e igual aos coordenados, só que gosta de skate e isso impressiona. Estou trabalhando para que você saiba que ainda é pequenininho, que está crescendo, que não é grande. Por que? Porque é reconhecendo que é pequeno e vai aceitar que não sabe tudo, que vai respeitar hierarquia, que vai respeitar ordens, que não vai bater de frente com qualquer adulto por aí, se sentindo um gigante! Com você, que tem mania de grandeza, tem de ser assim.


TIJOLO E AREIA
Tudo agora é uma construção. Não tem nada de receita pronta na nossa relação. Nada de regra, de revista. Eu, inclusive, nem quero que me venham com receitas. Estou dando duro para encontrar um caminho nosso… que dê certo para gente. E descobri que estou conseguindo. Disse até na sessão que morri de rir quando soube, na quinta-feira, dia 30 de junho, que você tinha levado uma mordida na escola. Eu fiz: “Gente, como eu quis que ele levasse uma mordida quando eu estava desnorteada, querendo que ele parasse de morder. Para ver se, levando e doendo, parava de fazer nos outros. E agora, que tive de dar tudo, sofri, me reinventei, me aparece a mordida?! Não podia ter vindo antes, para ajudar?” Talvez tivesse sido mais fácil, mas a consciência que eu tenho hoje me faz perceber que não teria sido tão rico. Foi duro, mas é rico saber que eu sou capaz de construir caminhos para fazer de você um menino legal… um menino admirável. E ter orgulho de dizer, como uma vez ouvi da Letícia, mulher do Lúcio, ao falar da filha: “Isso daqui – mostrando a filha – teve um trabalho danado. Eu tenho orgulho!” Você também deu e ainda dá um trabalho danado. Mas agora, muito menor. E o resultado é um prazer. Como disse ao seu pai, descobri que tenho pós, mestrado, doutorado e estou fazendo pós-doutorado em você! Filho do céu, como bem falou o taxista, “você é um barato!”

2 comentários:

MARCO NASCIMENTO disse...

Filho, aqui é o papai. Fefel, você hoje começou a torcer para o Djokovic na final de Wimbledon, acredita? Eu gritava: Rafael! Rafael! na minha torcida para o Nadal, afinal era o seu xará, e você, para provocar, aprendeu direitinho o nome do adversário -- um nome sérvio. Djokovic! Djokovic! E não é que deu mesmo Djokovic? Mais tarde, depois de amargar um tempão na porta do teatro graças ao apagão do shopping Higienópolis, conseguimos ver pela segunda vez a peça Saltimbancos. Tínhamos que ter voltado! Você conhece a peça inteira, sem exagero. Desta vez você cantou baixinho quase todas as músicas. Isso mesmo, você sabe quase todas as músicas e letras... De tanto ouvir! No fim, na despedida, esticou a mãozinha para o Jumento, para a Gata e para a Galinha... Na hora que o Cachorro passou pela sua poltrona, você recolheu as mãozinhas correndo... "Medo, papai". Nosso pequenino Rafael, nosso nenezinho. Beijo do Papai

Testes da mamãe disse...

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