16 de novembro de 2008

A última noite em Nova York



Rafael, seu pai já está no espaço aéreo brasileiro e deve estar chegando a SP na próxima hora, mas a Tia Manu mandou fotos ontem à noite e a mamãe resolveu postar aqui. As histórias da viagem o seu pai conta depois...

A loiraça da foto é ela, nossa querida e melhor amiga de Maceió, que ajudou o seu pai por Nova York. Ela escrevia contando dos achados - roupinhas da Polo Raulph Lauren por 14 dólares, entre outras coisas. Ao lado, a Iolanda, amiga da Myrtes, que também estava lá durante essa semana. Seu pai disse que foi divertido... ah, e só foi graças a ela que coube tudo na mala. Que ajuda, hein!? A foto foi tirada na sexta-feira à noite, num bar chinês, lá em Manhattan, segundo o seu pai.
P.S: Se você pudesse ver a foto agora, tenho certeza que também diria: "Cadê o sorriso, pai!?"

Em breve, mais histórias dessa aventura para o seu enxoval!

15 de novembro de 2008

Muita movimentação... aqui e lá.

Rafael,
a mamãe resolveu deixar registradas aqui as mensagens que a gente recebeu nesta semana, com as notícias do seu pai. Hoje é sexta-feira,dia 14/11/08, agora falta pouco para ele voltar... mas durante esses 7, 8 dias, a gente não conseguiu se falar tanto. O que ele andou lá não está no gibi, pelo que dá para constatar:

mensagem do dia 08/11 - recebi lá em Fortaleza, no sábado:
"Oi meu amor, cheguei bem e já fomos às compras com Manu e a tia dela! Já comprei metade... o sapo é o máximo! O carrinho chega segunda! Te amo, bj"

Imagine, ele chegou lá no sábado pela manhã. Gastou um pouco mais que eu gastei para chegar ao Ceará. Nem deve ter dormido e já saiu para comprar, como ele mesmo registrou no primeiro email que mandou de lá.

Oi meu amor, falo aqui de NY, do apartamento da Manu e do Renan... superbacana, enorme, e com uma vista linda! Hoje de manhã, logo depois que cheguei, saímos para tomar café no carrão do Renan (novinho!) e depois ele nos deixou na Toysrus aqui de
New Jersey, que tem taxa mais barata. Compramos vários itens, inclusive o sapo, que é enorme!!!! O carrinho chegou mas como não havia ninguém eles deixaram um aviso que entregam na segunda às 5 da tarde. O bebê conforto ainda não veio. Comprei o bercinho de armar, pesado que só vendo, grande mas lindo... Agora à tarde, ainda são
12h30 aqui, vou bater perna em Manhattan, quem sabe encontro o Wagner, porque o Renan e a Manu tem compromissos aqui... A tia da Manu está aqui também, muito simpática, e coube todo mundo! Depois escrevo mais. Comprei um cartão pra te ligar, vou deixar para mais tarde ou amanhã, quando você tiver em casa. Quando cair na cama
vou desmaiar, mas por enquanto estou firme aqui para dar mais uma
volta....
Um beijo,
Marco
1) estou adorando comprar aqueles badulaques, aquelas bugigangas, mordedor, chupeta, mantinha, babador, tem cada coisa, dá vontade de comprar tudo.... hoje encontrei um bichinho de pelúcia lindo por.... 3 dólares...


Foi uma delícia receber o email... eu fiquei delirando enquanto escrevia os offs do rali, lá na recepção do Quality, na Av. Beira Mar.

Depois, no dia seguinte, teve mais torpedo - 09/11:
"Pri, meu amor, comprei quase tudo. Supersupersuper!!! Você e o Rafinha vão adorar! Estou agora passeando por Manhattan com os dois amigos grávidos, Wagner e Adson. Eu te amo e estou com saudades. E NY é o máximo!"

Um privilégio né, filho, ele poder viajar para comprar suas coisas. Mas dava até gosto de ouvir e saber que tudo lá é bem mais barato, apesar da crise financeira mundial, que pegou todo mundo de surpresa. Pra você ter uma idéia, quando eu o convenci a ir - na base de muita insistência e dizendo que eu pagaria a passagem com os frilas do rali - o dólar estava a R$ 1,70. Dois meses depois, no dia de comprar
moeda, já estava em 2,30... ainda assim, só para comparar, como pode um carrinho que lá custa 500 dólares aqui custar 4 mil reais?!


No dia 12/11, teve mais:
"Oi meu amor, ontem ficamos na rua comprando até tarde tudo do Rafa e ainda estou na rua. Vou tentar te ligar. T amo. Não diga que sou desnaturado. Fico chateado com isso. Bj no Rafão."

Aqui uma explicação: eu mandei nesse dia mensagens para ele reclamando de não ter recebido nenhuma ligação telefônica na quarta e quinta-feiras. A gente sabe que ele estava lá por conta, só pensando em você, mas eu ficava triste em não conseguir falar com ele. É muito ruim ficar sozinha do lado de cá...sem notícias.

Agora, acabamos de receber à última: 14/11, 23h30, já (mas lá eles estão a 3 horas de diferença... então ainda não é tão tarde) "Meu amor, deu tudo certo! Estou exausto, mas valeu a pena! Espero que goste de tudo. Esta cidade é especial em tudo e, especialmente, nos preços... Nosso filho, o Rafael, vai se divertir com o que escolhemos e com o que encontrei aqui, tudo lindo!"

A gente não vê a hora dele chegar! O mais legal vai ser ele te sentir mexer, né, Rafa?! De ontem pra hoje você mexeu tanto... eu fiquei numa empolgação só. No trabalho até parava para te sentir... Fiquei te apertando, para ter certeza de que não era a minha pulsação. São umas batidas fortes, repentinas, no meio dos meus batimentos, que podem ser sentidos na barriga. Ontem contei para o seu pai... e pra sua vó Paula. É uma delícia a sensação. Acho que você tá chutando e dando uns
soquinhos, afinal tem mexido dos dois lados do umbigo... ou será que são cambalhotas? rs. Amanhã a gente completa 6 meses! Seis meses, já... que delícia. Daqui a pouco você tá aí. O papai chega no domingo e, certamente, vai fazer mais fotos... vamos alimentar o blog, para todo mundo ver o barrigão dos 6 meses. Eu estou adorando!

10 de novembro de 2008

Saudades do papai



Essa foto foi tirada quando completamos 3 meses de gravidez, na primeira viagem à praia... fomos para Toque Toque, na antiga casa da Rê e do Floresta... seu pai já estava com a máquina nova e tirou inúmeras fotos. Mas hoje eu resolvi colocar esta aqui, porque ele está longe, viajando para fazer o seu enxoval. Dá uma saudade... Pelo menos está tudo bem, ele está lá feliz e a gente aqui também, né, Rafael... Nem fiquei sozinha, afinal você já é o meu companheirinho inseparável por mais uns 4 meses, provavelmente. Hoje você já foi trabalhar comigo, depois corremos na concessionária para tentar trocar a bateria do carro, passamos no correio para enviar o Final Cut para Maceió, fomos para o personal com a Paula e ufa... de tão cansada ainda com o saga do rali em Fortaleza no fim de semana, a mamãe matou a ergométrica hoje. Mas pode, né? Só engordei 4.800 gramas em 23 semanas, ou seja, menos de 1 kg por mês. Tá bonitinho assim... Vamos ficar um pouquinho aqui no computador, quem sabe seu pai não aparece no messenger, né? E enquanto isso, eu escrevo o texto-queixa para a Gol, reclamando da falta de profissionalismo daquela atendente cretina que nem se aproximou do balcão na última sexta... e me gerou problemas em cascata. A gente perdeu o vôo, sofreu horrores e passou raiva demais, né, Rafael... Não vale nem a pena gastar tempo aqui... Tem muita história bacana para contar. Ainda mais que foi em Fortaleza que a mamãe comprou o seu kit berço e kit cama-sofá de renascença que, de tão maravilhoso, faria qualquer cliente da DASLU babar... seu quarto vai ficar lindo! A mamãe não vê a hora de mostrar para o seu pai e de ver as coisinhas que ele tá comprando por lá... hoje ele já disse que comprou quase tudo e gastou pouquíssimo. Dá até gosto de ouvir!

Reflexões da vovó para a filha


Uma foto lá pelo terceiro mês


Confesso que acho esquisito esta vida virtual, porque agora todo mundo tem acesso à tudo que antes dela era assunto privado. A vida passou a ser compartilhada de maneira geral e eu ainda não sei avaliar os efeitos disso...
Digo aqui para todo mundo ler o que consigo, pois a verdade é sempre dita pela metade. Eu descobri isso enquanto advogava arrogantemente poder dizê-la toda.

Admito não ser possível dizer o que sinto a respeito da espera em me tornar uma avó.

Acho que a gente nunca vive as coisas da mesma forma que as escreve e mesmo quando já se experimentou coisas parecidas, a cada vez que se vive é sempre uma coisa nova. As minhas tardes de sexta feira, logo apos o termino das aulas do doutorado, quando você (Pri) me espera de carro na frente da PUC são de interminável prazer. Desde que voce ficou grávida que vou à SP só para vê-la.
Quando entro no ônibus, fico revivendo nossa tarde e o carinho que rola entre nós e não posso imaginar uma "mãe e filha" que sejam diferentes disto que vivemos, pois elas não sabem o que perdem...
A sua imagem grávida é algo indescritível pois vejo nela meu próprio ser na época em que a esperava. Eu te tão forte que deixava transparecer me sentia insegura porque não tinha como saber o que seria de minha vida depois de me tornar uma mãe.

Vê-la no primeiro momento de sua vinda ao mundo, ainda na mesa de parto, com os olhinhos que não me enxergavam ainda, mas eram de um puro azul celeste, me fizeram sentir uma emoção que nunca mais foi possível sentir nada igual!
Este momento é tão maravilhoso que não pode ser captado por nenhuma câmara, na medida que o que escapa à imagem é mesmo impossível de cair na linguagem...
Espero que sua experiência ao dar a luz também a marque profundamente como a sua filiação me marcou e espero que você tenha a benção de um dia também ter uma filha, pois só depois que tive um filho-homem pude ver o quanto as mulheres são diferentes e como elas são dignas no que se referem ao compromisso com a vida. As mulheres nunca verão o mundo como um homem por mais que lutem nele como um!

Se algumas não experimentam o que eu digo talvez seja porque não se tornaram mulher, já que ser homem ou mulher não é algo dado pela anatomia.
Como dizer da possibilidade dada à uma mulher que tendo o desejo por um filho possa tê-lo e sentir uma vida sendo criada dentro de si? Essa é uma experiência só da mulher e, embora não goste muito de ter nascido nessa condição, pois o mundo infelizmente é masculino, orgulho-me de ter encontrado minha mulher. É claro que isso só foi possível com muita análise e seguindo o desafio de ter que lhe educar.

Minha responsabilidade como mãe ainda está em curso por causa da educação de seu irmão, mas eu sei que também ele me proporcionará grande orgulho por ter sido a sua mãe, tal como hoje me orgulho da pessoa que você se tornou.
Parabéns minha filha, mas você não sabe o que te espera. Entre a dor e a delícia de ser mãe e mulher deixo aqui o meu compromisso de ajuda-lá onde puder, só para testemunhar o que vivi com sua avó Natalícia. Eu aprendi a doçura e a generosidade com ela. A pessoa que me trouxe ao mundo é a referência de amor que eu tenho e por isso sinto saudades dela e ninguém pode imaginar o quanto!
Tenho que confessar que nunca precisei de estimulo para viver. Nunca tive medo do trabalho e isso ainda é sem descanso!!! Nunca tive medo de desafios e nem da morte. Mas agora, vivo em função de ver o rosto do Rafael e esperar que ele grite Oh! vovó!
Um beijo carinhoso em você, a minha eterna Pretinha.
Mamãe
(vovó Paula)

4 de novembro de 2008

Invasão da Kika

Prezados Mami e Papi do Rafael;
- A invasão da Kika -
lamento mas 'tive' de invadir esta casa porque num me segurei e porque sou praticamente vossa personal-hacker. Taquei um post novo, relativo a este, que pra mim foi imensa homenagem. Agradecida, segue o que segue abaixo. Vocês podem apagar e colocar em outro lugar, caso queiram.
Amo vcs - K.

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Queridíssimo Rafael – ou: Aquele que já está aqui, mas ainda não chegou;

Pára tudo e chama a NASA! Por acaso acabei de ver que tua mãe me publicou no blog e tive aquele ataque costumeiro de “ter” de responder. Você não me conhece muito bem ainda, mas tenho muitas manias, entre elas a de responder a quem escreve – desde que mereça. Acho que você merece. Então lá vai.

É verdade que to fazendo uma coisa pra você. Na verdade algumas coisinhas – porque você ainda não sabe, mas também sou compulsiva-obsessiva. Muito prazer, Rafael, eu sou a tia Kika. Nada pode vir sozinho, meu anjo, tudo deve no mínimo ter um par. Então se escolho uma árvore, acabo levando pelo menos dez, só pra elas terem com quem conversar e ter filhos; se ganho uma cachorra, espero alucinadamente a hora dela ter filhotes e acabo ficando com nove num apartamento em que mal cabiam duas xícaras; se for pra fazer o jardim da tua casa, mando bala duma vez na garagem, na calçada, no quintal... É uma doideira sem fim essa coisa da compulsão-obsessão, meu filho. Você vai ver, ahhh vai.

Daí que quando eu soube que alguém tão importante viria por aí, fiquei pensando no famoso presente de boas-vindas, que de maneira alguma poderia ser comprado por aí, não poderia ser industrial e nem mal-feito, que isso não tem graça pra mim. Outro fato que você também não sabe é que gosto demais de fazer coisas, principalmente as que não existem ainda. Gosto de tudo que ainda não existe, Rafael. Gosto de fazer as coisas existirem e gosto que sejam muito bem-feitas. Mas também gosto de coisas que já existiram, principalmente há muito, muito tempo; principalmente as que foram feitas com qualidade, paciência de chinês pagando uma perpétua no deserto... Ou seja, eu gosto de história – em todos os sentidos desta palavra tão boa. Portanto eu pensei em te fazer alguma coisa que existe há tempos, que é feita até hoje, que está até na moda, mas que agora não é mais feita como antigamente – porque dá um trabalho do cacete, entendeu? Eu que o diga, Rafael do céu! To ficando cega e sem mão. Mas ta ficando lindinho, fica tranqüilo.

E a coisa da história também está no que podemos chamar de “motivos” da obra (to até rindo aqui, imaginando a cara da tua mãe pensando nisto). Na verdade, vou dizer o que é: to te fazendo várias histórias numa só – ou em muitas, se tudo der certo. Na verdade é tudo uma coisa só, sacou agora? A diferença é o meio. Você vai aprender nesta vida, querido Rafael, que os meios para se chegar a um objetivo são muitos. Eu escolhi um que vai poder te contar histórias, principalmente porque sei que tua mãe e pai te farão dormir ao som delas, por exemplo. O problema é que a pessoa que não sabe nada de histórias vai olhar a coisa e vai dizer: “Caracoles! Difícil saber a lógica dessa história, Kika”. E eu vou rir demais, porque apesar de você ainda não saber disso, eu também sou completamente louca. Teu presente é em estilo neo-naïf-orgânico-colorista-capira-com-traços-setecentistas-tecnologicamente-atuais, percebeu agora? Fácil. E se quiser mais uma dica, se fosse uma música, neste momento se pareceria com esta maravilha – que vou (desafinadamente) cantar pra você dormir depois das tantas, muitas histórias:

Azulão


Ou escute (e baixe) por aqui: Azulão.mp3

Pois é, Rafael. Esta tua tia maluca de pedra ta fazendo uma coisa bem comum. Tua mãe me perguntou assim: ‘mas ele vai poder pegar... porque uma coisa assim tão complicada...’ Vai poder, sim, meu filho. Não só vai pegar como vai fazer o que bem entender, até comer, se for do teu agrado. A gente nunca sabe o que uma pessoa vai gostar de fazer, até que a veja fazendo com o maior prazer, né mesmo? Então.

Na verdade, meu pequeno, trata-se de algo feito, desfeito e refeito diversas vezes para que fique pronto. As cores, naquela quantidade imensa, fazem parte da história e o material de que são feitas vieram de vários lugares do mundo. Mas duas delas eu criei aqui em casa mesmo, porque não achei por aí como eu queria. Acho que você deve estar desconfiando que, além de tudo que ficou sabendo até agora sobre mim, eu amo as cores. Quase nada é melhor que cor, Rafael. São fundamentais. Então eu misturei uns trecos aqui e fiz um amarelão-van-gogh só pra você. Vixe-maria que você vai ter de conhecer este cara, o tal Van Gogh, que eu amo também. Vai ver porque era doido feito eu. Deixa você chegar que te mostro tudo dele, tenha calma.

E chega de falar das materialidades desse tal presente. Só espero ter (in)sanidade e tempo suficientes para que tudo fique pronto à tua chegada. O mais importante é o que penso enquanto faço a coisa toda. Pode ter certeza que em cada milímetro segue um bom desejo para você. É um trabalho de humildade e boas energias, meu anjo. Fico desejando que você seja feliz, que traga mais alegrias para este planeta cheio de maravilhas e que precisa cada vez mais delas. Que seja um amante radical das árvores e das flores, que são os olhos da Natureza – como já diziam os cientistas – e que as espalhe pelo mundo infinitamente. Que seja um protetor dos bichos, que são tudo de bom e do melhor – apesar de eu odiar mariposas e baratas, se você quiser amá-las eu dou a maior força. Que você tenha inteligência brilhante e conheça o resultado antes mesmo do final da pergunta e que isso te ajude a encurtar os caminhos mais difíceis que a vida sempre teima em nos oferecer. Que você tenha sensibilidade para escolher as opções mais acertadas e que teus amigos sejam todos do bem, assim como você. Que tua saúde seja mais forte que titânio; que tua fome seja de conhecimento. Que o espaço não seja limite pro teu espírito. Que o sol seja teu companheiro e a lua teu acalanto. Te desejo, pequeno Rafael, que a vida te seja longa e quaisquer fardos te sejam leves. Tudo isto e mais um tanto eu te desejo. O resto é o resto.
E se você teimar de ser lindo, aí não terá pra ninguém.

Daí quando chegar, vou fazer feito no meu sonho: trocentos bilhões de beijinhos (você tem um cheirinho maravilhoso, pelamornideusi!) e lá pelas tantas te chamo – vamos nadar, Rafael, vamos? E você se joga pra mim com os bracinhos abertos e gargalhando desesperadamente. Êêê, lá em casa! Cresce forte aí, bebê, que to aqui te aguardando.
Love, love love...
Tia K.

3 de novembro de 2008

Eles são tudo de bom



Vô coruja no quinto mês



Vó coruja no segundo mês

Tia Kika, só para você

Ela ligou outro dia dizendo que tinha sonhado a noite inteira com você... que te beijava todo. Também, tinha passado horas aqui na véspera ajudando a gente a colocar esse blog "no ar". Ela sabe tudo de internet, Rafael... e eu e seu pai somos uma negação! Foi ela quem criou o endereço, quem configurou tudo e nos ajudou a começar a mexer. A gente não conseguia nem postar os textos, porque nosso computador é um Mac e a configuração é para PC.
Já progredimos, mas ainda falta muita coisa para conseguir fazer ficar direitinho. Trocar foto no que já foi postado virou uma novela... demora horas e no fim, não dá certo. Mas tudo bem, eu já tô feliz com as primeiras conquistas. E ela tá acompanhando tudo, porque vira e mexe me diz que viu alguma coisa por aqui. Até os erros ela viu. Imagine, chamei a máquina do seu pai de Kodak e é uma Nikon. Graças à nossa consultora e revisora para assuntos de internet, de animais e de jardim (foi ela e o Marcus que nos ajudaram a plantar tudo aqui), eu fiz as correções.
E tem mais: há meses ela se dedica a uma obra interminável, que só deve ficar pronta quando você nascer. Passa os dias ocupada com esse trabalho. Só de cores usadas nas peças da montagem são mais de mil! Como assim, mais de 1000? Eu nem conheço tudo isso de cor!?
Já chamou eletricista, já levou o Marcos Aurélio para a 25 de Março pra comprar material, já fez de tudo. Tá achando que é brincadeira?
O projeto, no entanto, é um mistério. Ela começou na obra quando o seu pai espalhou a notícia da gravidez, logo no primeiro mês, provalmente. Um dia ligou para perguntar se era menino ou menina. Quando eu disse que era o Rafael, ela vibrou. Falou que é o nome que ela mais gosta e depois disse que já estava fazendo tudo azul, achando que seria mesmo um menino.
Quando ao trabalho, só contou que é uma coisa "muito, muito, muito antiga, mas que ninguém tem", nas palavras dela. Eu disse que nós amaríamos só pela dedicação, mas estou certa que será algo de cair o queixo. Será que a gente vai ter espaço para deixar à mostra? Ela já disse que um quarto da casa dela está todo ocupado com a surpresa.
Pela forma como ela descreveu, eu disse que devia ser um presépio ou a Arca de Noé. Ela riu... mas confesso que não tenho nem idéia do que seja. Também, não quero saber. A surpresa vai ser bacana.
Ah, mais uma coisa: Quanto a chamá-la de tia, ela fez uma concessão. Fez questão de dizer que ninguém a trata assim e disse: "Só o Rafael vai poder!".

(Kika, coloque uma foto sua aqui, para gente, vai!!!! O blog precisa!)

Tia Bia

Ela me matou de rir com o recadinho que deixou no seu blog, abaixo do texto sobre a translucência. Disse que eu sou maluquinha! Devo ser mesmo, né?! É cada história... Essa tia você vai curtir. Pena que ela tá longe...
Bem, ela soube que você era uma sementinha antes do segundo mês. A gente se falava e ainda se fala pelo MSN com uma certa frequência. Ela vive contando as histórias das amigas dela de BH, dos pais (o Zé Milton e a Alzira são uns fofos), do Du com a Aline, do casamento com o Euzébio (com Z, viu!?), e sempre perguntava da gente. Ela sempre gostou muito do seu pai. Daí, um dia, eu resolvi contar sobre a aventura da ovulação. Foi bacana... ela comemorou. Eu pedi segredo, já imaginando que talvez ela não se aguentasse...afinal, é duro não falar para ninguém que a amiga tá grávida, né? Mas ela foi discreta... depois da translucência, perguntou: "Então Pri, agora já posso contar?" Eu disse: "Se é que você conseguiu não comentar com ninguém - coisa difícil - pode sim". E ela confessou que já tinha falando só para algumas pessoas. É claro, né, Rafa! Eu também não sei se resistiria. Imagine quando ela engravidar? Vai ser uma festa... vou contar para todo mundo!
A Bia é uma amiga desde a época do intercâmbio. A gente se conhecia pouco no colégio, mas por causa da Renata, ficamos amigas. Até durante o meu intercâmbio, a gente trocou uma ou outra correspondência. Quando voltei, começamos a sair muito e viramos amigas. Ela é daquelas que não mede esforços por um amigo... se empenha, se dedica, se doa. Faz questão de ter por perto. A família, de tão bacana, conseguia reunir todo mundo por lá. Os pais vivenciavam a nossa juventude... Festas, churrascos, jogos de Copa do Mundo... sempre tinha bagunça na casa deles. Os dois nunca se incomodaram, ao contrário, faziam questão de receber. Naquela casa gostosa, acabava todo mundo ficando por lá mesmo. A gente saia muito juntas, temos muita história para contar. Na época da PUC, ela foi a primeira, talvez a única das amigas mais próximas, a ganhar carro. Vivia dando carona! Eu não me esqueço do tanto que reclamava do ar do Vitara dela. Eu sofria de frio. O vô Marcos dizia que eu tinha que andar em carro ferrado, mesmo... passando calor. Imagine, não gostar de ar... Mas a tia Bia abaixava, dava um jeito de abrir a janela para me aliviar. rs. Lembro também do CD do Jorge Aragão, que devia ser um dos que tocavam mais nos últimos anos da faculdade. Eu fazia jornalismo, ela era vizinha de prédio, na psicologia.
E as passadas nos cruzamentos sem freiar, quase... gente, me lembro de uma no Santo Antônio que foi uma aventura... ela ia, sem se limitar. Só depois reparava na placa. Isso ainda no carro preto, antes do jeep.
O episódio mais engraçado foi o do amigo oculto que ela arranjou com as meninas e me convidou. Aquilo foi cômico! Que saudade... gente, teve inimigo oculto também. Eu tirei ela! hahahahhaha... não me esqueço da mão à lá Casseta e Planeta do "Não solte pum no elevador!"... E a touca que a Lúdi ganhou? Preta, cheia de coisinhas coloridas - na época não existia chapinha! Foi muito divertido. Não dá para descrever. Só sei que até hoje não tenho cópias das fotos.
Bem, depois, quando comecei a namorar seu pai, ela curtiu. Gostava dele desde o começo. No nosso casamento, foi a madrinha mais linda! Estava com um vestido de cetim vermelho causando furor! Arrancou elogios de todos... as fotos do álbum não me deixam mentir.
Em 2006, ano da COPA, ela se casou com o Euzébio, que também é um cara super bacana. Foi a nossa vez de sermos os padrinhos.
Hoje a gente mantém contato, mas se vê pouco, né? Afinal, eu tô aqui em SP, ela lá em BH. Mas quando vou à cidade visitar a família, sempre ligo para ela. É uma amiga de quem sinto falta e que tenho prazer em ver. Seria uma maravilha se a gente morasse perto, se a gente pudesse dividir o dia a dia. Compartilhar histórias da vida de casadas e de mães, no futuro... ela diz que vai encomendar um amiguinho/a para você só daqui uns 3 anos...
Enquanto o tempo nos distancia, a gente vai matando a saudade como dá... e ela, acompanhando um pouco da sua história por aqui.
Bia, você é uma amiga de ouro! Prepare-se... Rafael tá vindo aí.

Vó Paula e Vô Marcos






Eles são marinheiros de primeira viagem, como eu... e estão curtindo igualmente a novidade, tanto quando nós dois, eu e seu pai. A vó não tem outro assunto, como ela mesmo confessa. O vô também está super feliz com a sua chegada. Dá dor no coração só de pensar que a gente não mora perto deles. A vovó já disse que se estivéssemos em BH ela passaria diariamente para dar uma mordida em você. Desde antes da gravidez, já ficava me incentivando a liberar logo, a não me preocupar mais só com trabalho e outras coisas, para curtir a experiência de ter um filho. A verdade é que ela estava igual ao seu pai: não aguentava mais esperar! Queria um neto de todo jeito. Imagine, quando chegou de Paris, em janeiro deste ano, estava tão feliz, realizada, que disse que se morresse, morreria feliz... que se não fosse pelo Pedro, ela poderia ir tranquila, porque eu já não precisava mais dela (já tinha me tornado uma mulher, bem orientada) e ela já tinha feito de tudo na vida. Eu fiquei boba com aquilo e logo disse: "Mãe, mas e o neto?" Num piscar de olhos ela disse: "Nossa, é mesmo... eu ainda tenho que viver muito!". Tá parecendo a vó Talícia, que estabelecia metas para continuar vivendo. Ainda bem que você só está na barriga... ou seja, ela vai ter que ficar conosco por muito tempo para curtir o seu desenvolvimento.
O contato com a vó Paula tem sido mais frequente por causa do doutorado. Com isso, ela tem acompanhado o seu crescimento aqui dentro. Às sextas, a gente fica só umas horinhas juntas, mas é tempo suficiente para eu me deitar no colo dela e falar da vida, das mudanças, dos planos para a sua chegada. Ela diz: "Minha filha, eu não vejo a hora desse nenem nascer... vai ser a coisa mais linda..."; "Ver uma filha grávida é uma emoção ímpar..."; "Esse bebê vai ser uma menino muito feliz, porque ele já é privilegiado...", entre outras coisas. Ela fica refletindo comigo sobre o quanto é bacana ter um filho planejado. E fica orgulhosa e feliz de saber que eu estou bem, curtindo a gravidez intensamente.
O vô Marcos liga sempre... ontem deu a notícia de que vai voltar para Bélgica, onde deve ficar até Abril. Ele chegou a falar em vir em Março para o seu nascimento, mas a gente há de convir que não faz sentido. O coração apertou. Eu adoraria que eles estivesse aqui pertinho, mas entendo que profissionalmente será importante. Quem sabe quando vc estiver maiorzinho, ele não estará de volta, de vez?! Assim vc vai poder curtir a convivência com um avô bem humorado, engraçado, que não perde uma, como diz o seu pai Marco Antônio.
As fotos tiradas acima foram em mais um momento raro, de pai e mãe em SP. O vovô ligou dizendo que vinha passar uns dias aqui, na semana de outubro de folga na escola. Eu fiquei radiante. Ele acabou vindo sozinho. Enfrentou 600 km de estrada para nos visitar. Ainda pegou um baita trânsito na Marginal... mas foi uma delícia. Quando ele apareceu no portão foi logo perguntando da barriga: "Deixa eu ver a barriga!" e em seguida exclamou: "Que linda!" Eu fiquei feliz da vida com a reação dele. Acho que não esperava uma frase tão espontânea, afinal seu avô sempre foi exigente. Vivia me alertando para me cuidar, porque depois da gravidez tudo seria mais difícil. Ainda bem que eu tomei juízo antes, tanto é que estou mantendo o peso bonitinho nesses primeiros meses. Ele mesmo disse que é só a barriga.
Naquela quarta-feira à noite, quando o seu pai chegou, fizemos a traíra que o vovô trouxe da estrada... uhn, ficou uma delícia.
Na sexta, a vovó veio, naquele bate-e-volta habitual. À tarde, com os dois em casa, deu para curtir. A gente saiu para dar uma volta, olhar umas coisas, e à noite, quando o seu pai chegou, tirou as fotos. Eu amei!!!! Só Deus sabe o tanto eu gostaria que você fosse criado bem pertinho deles, assim como eu fui com os meus avós. Vô Lu (que você terá o prazer de conhecer), vó Letícia, Vó Talícia e vô Hélio foram essenciais na minha infância. A memória de cada um deles faz parte daquela época. Se a gente continuar vivendo em SP ou em qualquer outro lugar que não seja BH, já tenho planos de te mandar para BH nas férias e/ou quando eu estiver de plantão. Você vai pra colônia de férias no Minas, vai curtir a casa dos avós, vai lá ser mimado... mimado de carinho, porque o troninho será seu por muitos anos!
Ai que delícia esses avós...

Só para matar a curiosidade



Só para matar a curiosidade de quem quer, desesperadamente, ver uma foto da barriga. Isso daí era na 20a. semana, ou seja, no 5o. mês completo.

Rafael ou Sophia ?

Parece tarde para falar sobre isso, mas eu quero te contar sobre a escolha do seu nome.
Bem, para menina, eu sempre quis Pietra, mas achava Sophia lindo, desde o nascimento do seu tio Pedro. A vó Paula dizia, já naquela época, que Sophia quer dizer sabedoria, a parte feminina de Deus. Seu pai não gosta de Pietra, ama Gabriela. Mas em comum acordo, já tínhamos decidido que seria Sophia, com PH, porque é muito mais sofisticado. É um charme, na verdade. Então, se um dia você ganhar uma irmãzinha, ela terá esse nome.
Quanto ao menino, assim como Gabriela, o seu pai é apaixonado por Gabriel. Tinha uma idéia fixa, mas eu não queria repetir nome na família. Afinal, ia ficar o Gabriel da Patrícia e o Gabrielzinho da Priscilla... já imaginou, que coisa chata?! Mais, já que todo mundo tem apelido - ainda mais em SP, onde as pessoas te chamam pela primeira sílaba do nome: Pa, Ma, Ta, Sa, Si, Li, Ca... e assim por diante... - você ia virar Biel, com certeza.
Na dúvida quanto aos nomes, fui buscar os que ainda não existem na família. Pedro sempre foi o meu preferido, mas convenci a vó Paula a colocar no irmão. João já tem o da Fê, por isso, não dava nem pra ficar um João Lucas...
Eu também não queria nada com R no meio. Pra não ficar como no interior Marrrrco, porrrrta, Berrrnarrrdo... A gente até brincava dizendo que ia virar Narrrdo. Credo, já pensou?! haha
Daí, vieram os seguintes: Antônio ou Rafael... Eu acho lindo Antônio, mas ia sobrar um Toninho, Tonhão... ou Tom, na melhor das hipóteses. Por causa disso, todo mundo, até seu pai, que é Marco Antônio, preferiu Rafael. Os avós maternos aaamaram, o seu tio coruja Pedro amou, a sua irmã Fê também preferiu.
A verdade é que, no começo, insatisfeito com a não escolha de Gabriel, seu pai fez pouco caso... Hoje acho que tudo não passou de provocação, que me pegou de cheio um dia lá pelo terceiro mês. Mas depois, por conta própria, ele saiu contando para todo mundo que era um menino e se chamaria Rafael. Agora já te chama até de Rafa nas conversinhas com a barriga. Ele tá curtindo!
Eu fui procurar no google o significado, porque várias pessoas já tinham me perguntando, e adorei: Rafael é o anjo da cura, companheiro de Deus. Alguém fiel. Não é lindo?
O seu vô Marcos diz que todo Rafael é da pá virada... mas ele gosta do nome. Então tá escolhido... vc já é inclusive apresentando para as pessoas. Para todo mundo que me pergunta se é menino ou menina, eu logo digo: "É um menino, o Rafael." Que Deus te abençoe!

Sua mãe

O ponto final

Que alívio. Demitir não é fácil, mas quando se tem consciência de que é a coisa certa, dá um alívio....eu estou leve, feliz, tranquila! Finalmente consegui pôr fim ao incômodo em que a empregada tinha se transformado na minha vida. De uns tempos pra cá, era só pepino. Até você, Rafael, deve ter sentido um pouco das "más vibrações", digamos assim, pelas quais eu passava semanalmente com ela. Ninguém merece!
Além da incapacidade de se aperfeiçoar, da falta de vontade de aprender a ler e a escrever, dos términos frequentes sem aviso dos estoques de produtos como café e manteiga, das ausências sem justificativa (canos, em bom português!) e das contas homéricas de telefone, ela começou a usar o meu perfume! Ah, é demais, né?, ver o seu "Mademoseille Channel" acabar nas mãos daquele toco! Que Deus me perdeu, mas era um toco... Tosca, que só Deus sabe.
No fim, apesar da satisfação de ter interrompido um ciclo que mais me cansava do que qualquer outra coisa, eu torço para ela se ajeitar. Achar uma casa como aqui não será fácil, mas ela tem qualidades que a fizeram entrar e ficar por três anos. Gente, tudo isso? Como a gente aguentou esse fim, hein?!
Tomara que consiga em algum lugar, onde as limitações e as encrencas em série não afetem tanto. (roubos de salário, ocorrências na delegacia por espancamento em família, dor de dente, falta de dinheiro, nome sujo na praça, desmaios, entre outros).
É isso. Missão cumprida! Eu acho até que ela foi embora pensando no tanto que pisou na bola, porque não esboçou surpresa, tristeza. Too late...
obs.: vou aproveitar que perdi a ginástica por causa disso para escrever tudo o que quero no blog... tenho várias histórias atrasadas.
Seu pai ligou... acabo de falar da minha alegria. Bola pra frente, porque a Rosa vem aí. E se Deus quiser, para ficar... para melhorar! Oba!
obs.: foto dela, nem pensar!

26 de outubro de 2008

O livro, a agenda, os registros

No dia seguinte ao teste de farmácia, ganhamos o nosso primeiro presente, o livro ESPERANDO MEU BEBÊ, das inglesas Daphne Metland e Anna McGrail. Um livro lindo, super bacana, que o seu pai escolheu a dedos na Fnac da Paulista. Chegou em casa com a surpresa, com direito a dedicatória, que eu amo: "Pri, amor da minha vida, que este livro nos ajude a planejar a chegada do nosso bebê. Te amo." O bacana é que, em quase 500 páginas, ele te dá um acompanhamento de todas as semanas da gravidez. É uma maravilha. Eu sabia, por exemplo, que antes da 20a semana você já começou a sentir alguns sabores...aprendi que até o terceiro mês era a fase mais importante, porque é nesse período que o feto adquire tudo o que vai precisar: todos os órgãos e membros. Depois desse trimestre, o resto é se desenvolver e crescer. Eu comia direitinho, seguindo as orientações, fazia quase tudo que era sugerido, com prazer. Outra coisa que eu encontrei lá foram informações sobre a dor no cóccis, que começou dois dias antes de completar 16 semanas. Ele ensina até a fazer uns exercicioszinhos para ajudar a aliviar. O livro tem sido ótimo e vai me acompanhar até os primeiros meses depois que vc nascer. Além dele, comprei a AGENDA DA FUTURA MAMÃE, na Fnac de Pinheiros. Foi uma indicação da Marina, jornalista que escreve na revista da Mitsubishi e faz uns ralis com a mamãe pelo Brasil afora. Ela sugeriu que eu a comprasse logo no início, lá em Curitiba, no dia 05 de julho. Ou seja, eu estava grávida de cinco semanas apenas. Na verdade ela me pegou numa conversa "bem suspeita" com o seu pai e me perguntou sobre a gravidez. Como ela é fofa e já tem a Pietra e o Lorenzo, eu quis contar. Foi ótimo... na mesma semana fui procurar a agenda e descobri, já naquela época, que poucas mulheres descobrem a gravidez no início, afinal, eu estava na quinta semana e só tinha espaço para escrever a partir da 7a. Até hoje eu escrevo, mas depois do blog, é verdade que tenho deixado o diário um pouco de lado. A vontade de registrar tudo é grande.
A vida inteira gostei de ter diário, de escrever sobre tudo. Ainda tenho vários guardados da adolescência. Os do intercâmbio então, são inacreditáveis. Acho que herdei o hábito da vó Paula, que faz e guarda até hoje todas as agendas do passado. De vez em quando me pergunto para quê guardo, se um dia terei tempo de ler tudo... mas não tenho coragem de jogá-las fora. Quanto ao que faço durante a gravidez, sei que vai interessar. Tem muita gente lendo e acompanhando a sua formação. Além do mais, quem sabe se quando eu estiver velhinha, com tempo livre, não recupero as histórias para lembrar detalhes dos momentos que valeram um registro, né?!

Sua mãe

25 de outubro de 2008

A translucência e a maior emoção de todas

Nossa, é difícil descrever o que eu senti quando ouvi: "Tudo perfeito!" Gente do céu, te ver formadinho, já grandinho, foi indescritível. Quando você resolveu mostrar o pezinho e a mãozinha então, me apaixonei. Eu nunca tinha sentido nada parecido - nem no casamento, nem na descoberta da gravidez, nem nos primeiros ultrassons, em nenhuma super viagem internacional, nada, nada se compara! É um sensação de prazer, de plenitude ímpar. E ainda hoje, aos cinco meses de gestação, estou para dizer que aquele foi o momento mais feliz até agora. E olha que a gente é feliz todo dia, hein, Rafa!?!
A translucência era o exame que mais me afligia. Já tinha lido quase tudo sobre e sabia que através dele, uma série de síndromes poderiam ser identificadas. Seu pai dizia que era pura bobeira minha, que não ia ter nada... sua avó também. Mas não tem jeito, enquanto eu não vi e ouvi que estava tudo nota dez eu ainda tinha uma apreensão. Foi o primeiro exame na nova clínica, o Centro Paulista de Medicina Fetal. Longe da nossa casa, lá na Vila Clementino, perto da Vila Mariana. Pra variar, o perrengue do trânsito. Saímos de casa umas 4h10 e o exame estava marcado para às 17h30. Seu pai pegou a Paulista. Foi a pior opção! Quando o trânsito parou, literalmente, eu me desesperei. Acredite se quiser, ficamos uns 20 minutos para andar 1 quarteirão...Só sei que deu 5h20 e a gente ainda estava longe. Tudo parado! Pra quê, resolvi ligar para a clínica. Parece até judiação, mas a mulher disse que se eu não chegasse em 15 minutos, ela não garantiria que o exame seria feito. Gente, é brincadeira, né? Justo a translucência, o meu grito de guerra!? Chegar à 12a semana de gestação parece que foi o período que mais demorou a passar, de tanta ansiedade para fazer o tal exame. Eu já tinha resolvido que só contaria da gravidez no trabalho e para os amigos (para quem o seu pai ainda não tinha contado, claro) depois do exame. Além do mais, eu precisava ter certeza de que estava tudo bem com você. No desespero, resolvi descer do carro e pegar um metrô, numa estação logo ao lado do mega congestionamento. Fui...
Vixe, parecia que eu estava junto com a torcida do Corinthians lá dentro. Um horror! Gente empurrando de uma forma que eu ia no fluxo, levada pela multidão. Ainda tive que fazer baldeação para pegar o trem certo. Foi uma loucura, mas eu queria te ver. Da estação final ainda tive que pegar um táxi para chegar à clínica o mais rápido possível. Quando despontei na esquina, adivinha o que vi? O carro do seu pai! Lei de Murphy total! Desci do carro, me meti no meio do povão no desespero para não perder a data e o seu pai ainda chegou antes. Tudo bem... Era umas 6h da tarde e a punição por termos nos atrasado meia hora foi termos sido deixados por último. Só entramos na sala para fazer o exame umas 7h, 7h30. Mas quando chegou a nossa vez, te ver compensou o esforço. Eu não me esqueço, seu pai sabatinou a médica. Ele fazia cada pergunta que a mulher deve ter ficado desconcertada. Foi assim: primeiro ela começou a ver as medidas - fêmur, osso nasal, nuca... e a cada uma delas descartava a possibilidade de síndrome. Disse que estava tudo ótimo, perfeito, várias vezes. Eu tinha vontade de sair gritando para o mundo: o meu nenem é perfeito!!! Daí ela disse que ia ver se dava para olhar o sexo. A gente já sabia que talvez fosse possível e eu estava confiando que conseguiríamos porque a Dra. Paula insistiu na clínica e disse que eles só fazem isso, exames pré-natais. Portanto, as chances da médica conseguir ver eram de fato grandes. De repente ela disse: "Olha, tudo indica que vai ser um menino, hein?!" Eu ri! Seu pai: "Então é um menino doutora!?". Ela disse: "80% de chance." Daí ele disparou: "Mas qual é o percentual de erro? Quais as chances de ser isso mesmo? A senhora mais erra ou mais acerta? ". Eu confesso que achei maravilhoso, mas enquanto ele mordia, eu assoprava: "Meu amor, olha o que você está perguntando...o que é isso!". A médica disse com um tom de brincadeira: "Se eu mais errasse, eu nem abria a boca, né?!" rs. Pronto, foi o suficiente para, a partir desse momento, o seu pai sair contando para todo mundo que o filho que a gente esperava era um menino! Ele mandou até email dizendo isso para os amigos! Ai, ai, ai... ela disse 80 e ele ouviu 100%. Não tinha quem o fizesse dizer: "tudo indica que será um menino", como eu fazia até ter certeza absoluta de que você é um menino.
Independentemente disso, para mim, o forte do exame foi saber que estava tudo bem. Liguei para todo mundo: vó Paula, tio Pedro, vô Marcos, vó Nair, Tia Beth, Bia, Laura... e mandei mensagens para Larissa, Cris de Salvador... fui espalhando a notícia.
Saímos de lá e fomos jantar no JAM, aquele Japa super bacana do Itaim, que a gente ama. Nossa, foi uma maravilha... Seu pai ficou só pensando em você ser um menino. Ele disse: "Nossa, Pri, vai ser tudo diferente mesmo agora, né?! Um menino...". Estava emocionado, feliz, orgulhoso. Eu posso dizer que aquele foi um dia em que eu ganhei a vida! Não faltava nada, graças a Deus.

Sua mãe

Dois centímetros e meio, só

Não vou me esquecer nunca de nós dois, eu e seu pai, sentados no Fifty's do Shopping Morumbi depois do segundo ultrassom, o das 9 semanas. Ficamos rabiscando você no verso do jogo americano de papel. Na verdade, tentando estimar como é possível um feto ter cabeça, tronco e o broto dos bracinhos e pernas e medir apenas 2,5 cm. Você tinha crescido bastante, afinal, três semanas antes ainda era a ervilha pulsante - tinha menos de um centímetro. Mas aquele tamanho de agora ainda era uma coisinha... no seu ultrassom (que a gente vai tentar colocar numa fotinha ao lado) dava para ver o que era. A gente ficava estimando com os dedos o tamanho real. No fim, acho que talvez nunca tenhamos conseguido de verdade, porque era muito pequenininho. Como a natureza é perfeita, né? Você começou um brotinho e agora não pára de crescer. Que lindo!
Quanto ao sexo, não dava nem pra supor, mas até aí eu tinha uma idéia fixa: queria muito um menino. Mas confesso que, olhando para o ultrassom, eu só pensava em uma coisa: "Ai, meu Deus, abençoe para que esses brotinhos pulem para fora e os bracinhos e as perninhas cresçam!" Parece bobo dizer, mas eu orava para você ser perfeitinho, com os membrinhos todos bem formados. No shopping, a gente desenhou, desenhou, desenhou e, claro, saímos com um presentinho. Como eu já tinha comprado várias roupinhas naquela loja do Vila Lobos da qual eu virei cliente, eu não quis gastar muito. Também estava na fase de convencer seu pai a ir para os Estados Unidos fazer seu enxoval por lá. Por isso, tudo parecia uma fortuna aqui. Acabamos levando o macaquinho da YOU, de algodão orgânico, com bolinhas entre o lilás e o marrom. Lindo. Não vejo a hora de ver você dentro.

Sua mãe