25 de abril de 2013

Queria mais irmãos, mas...


Essa história não é de agora... Foi conversa de um mês atrás, pelo menos.
Você, filho, estava em casa planejando quantos outros irmãos queria ter:
- Quero mais três irmãos. Cinco, ao todo.
- Filho, mas onde eles vão dormir?
- Comigo e com a Gabi...
- Você não vai se importar de dividir o quarto?
- Não, cabe!
- Como eles vão se chamar?
- Rodrigo, Gabriel e Isabella...
E aí, o ponto chave da conversa:
- Filho, pensando bem, como você vai fazer com o seu ciúme?
E a ficha cai:
- Ah, é... Tinha me esquecido disso!
Ou seja, pensando no quanto é difícil ter que dividir a atenção, preferiu então ficar só com a irmãzinha que já nasceu mesmo.
Não foi demais isso?!

15 de abril de 2013

Todo mundo tem bexiga?


Estávamos na clínica para as vacinas do segundo mês da Gabi. Você queria ver tudo, até a hora H. Quando percebeu que vinha a injeção e previu que ela fosse chorar, saiu correndo. Disse: "Não quero ver!". Achei lindo, não posso negar. 
Daí, pediu para fazer xixi. E eu, toda preocupada de perder a vacina. Insisti para o seu pai ir para estármos os dois juntos, de repente, eu perco? Só faltava...
Bom, te levei correndo no banheiro e acabei aproveitando para fazer xixi também depois de você. 
Daí começou o diálogo daqueles que eu não podia deixar de registrar:
- O meu xixi estava no meu pipiu... e o seu, na sua iéié!
Eu disse que o xixi ficava na bexiga. E você: 
- Na bexiga? Todo mundo tem bexiga?
Respondi que sim. E surgiu a próxima dúvida: 
- Até Deus tem bexiga?
Pensei, pensei e respondi rapidamente que também. Aí você ficou intrigado:
- E onde é que ele faz xixi? 
Boa, filho! Nessa hora saí da parte prática e fui pra lúdica: 
- No céu... é por isso que chove! 
E a história terminou aí, sem mais perguntas. 
Voltei a tempo para a vacina e você foi brincar.

15 de março de 2013

O ciúme



Por que ninguém fala abertamente dele, né?!
Mamãe voltou para análise depois de quase três meses. Feliz com o fato de termos conseguido - eu e o papai - contornar a fase mais difícil do seu comportamento depois da chegada da irmã. As duas primeiras semanas de fevereiro foram duras! Vovó Paula já tinha ido embora, papai voltou a trabalhar. Sobramos eu e a antiga babá para ficar com você, que ainda não aguenta ficar um minuto sozinho. Tá sofrendo... mas já com menos intensidade.

AVATAR 
Contei na sessão do "tiroteio" que você armava em casa, o tempo todo, pra todo canto. E disse que tive que recolher todos os objetos que serviam para ataques: espadas, corda e a maldita flecha que seu pai te deu ainda quando a mamãe estava na maternidade. Todo mundo foi atacado, literalmente! Uma das primeiras observações da analista foi sobre a flecha, claro: "Muito interessante, né?!, uma flecha!". O seu pai certamente não pensou na conotação quando atendeu seu pedido pelo presente. Quem pensaria?
Daí contei que um dia te falei: "Filho, nós não estamos em guerra! Isso aqui não é Pandora!", já desesperada. E aí veio a pergunta ou afirmação, não me lembro ao certo, que clareou o meu pensamento e tirou de mim a imagem de você estava terrível porque não sabia se controlar: "Mas para ele era uma guerra, né?!". Meodeos! 
A mamãe já sabia que você, como qualquer criança que ganha um irmão, estava sofrendo de ciúmes. Mas não enxerguei que a sua reação - o tempo todo! - era típica de quem estava enfrentando uma guerra! Ao me dar conta disso, pude perceber que você agia como se estivesse defendendo o seu espaço constantemente. Pra nós, que te amamos e queríamos cuidar de você, só parecia uma reação descontrolada. 
Enxergar me permitiu ver tudo de um jeito diferente e agora me ajuda a mudar a minha reação quando algo não vai bem.

CIÚME - ELE EXISTE E É PRECISO NOMEÁ-LO 

A analista perguntou: "Vocês já falaram disso com ele?". Na hora entendi que era preciso falar. Desconcertada, contei que um dia, logo no começo, te perguntei se estava com ciúme da babá, Elisa. "Elisa?", ela rebateu com estranheza. Também não precisou de mais nada para eu entender que o ciúme era de mim. Ou da irmã, mais provável. Expliquei que você tinha ficado muito agressivo com ela. Mas entendi que apesar da agressividade ter sido mais forte contra a babá, não era dela que você sentia ciúme.
Conversando com seu pai sobre a descoberta do quão importante era falar sobre isso com você, me dei conta de que a coisa parece tão natural que, por isso, não damos nome aos bois. Todo mundo pergunta sobre ciúmes, todo mundo fala sobre ciúme, mas ninguém conversa diretamente com quem sente. Ou seja, nós já sabíamos que você sentiria, sabíamos que você estava sofrendo e tentávamos fazer de tudo para amenizar esse sofrimento. Ficamos quase dois meses trabalhando para tentar fazer você não se sentir preterido. Mas não nos demos conta de que falar abertamente com você era o mais importante. Descoberto isso, no dia seguinte já te falei: "Filho, você não precisa ter ciúme da sua irmã!". E você perguntou imediatamente: "Por quê?". Fiquei impressionada com a pureza da pergunta. Ou seja, é tão óbvio sentir ciúme que você quis saber porque não precisava ter. 
E eu respondi que, com a chegada dela, nada mudou no que sentimos por você, que te amamos do mesmo jeito. Que ela só veio tornar a nossa família mais bonita e bacana. 
No dia seguinte, depois de levar quatro chutes de tae kon do na perna, fiquei brava. Confesso que até revidei com um. E, mesmo indignada, resolvi perguntar sem muita certeza: "Filho, você está com ciúme da sua irmã?". Na bucha veio um: "Tô!" e explicou que queria ter uma babá só para você. Isso porque a novata, que só contribuiu para essa fase mais tranquila, tinha acabado de subir para preparar o banho da neném, enquanto a mamãe a segurava no colo. Você se sentiu deixado e eu não tinha percebido! Logo expliquei que não dá para ter duas babás, que todas as famílias tem uma só para cuidar dos irmãos e dei exemplos. Em menos de 1 minuto, você já estava querendo segurar a irmãzinha no colo. OU SEJA: constatei que falar sobre o ciúmes é como tirar uma nuvem negra de cima com a mão! Tudo muda!  Incrível! 

É LEGÍTIMO 
Comentei com a tia Gá por mensagem sobre as descobertas, sobre as conversas com você e ela disse: "Sobre afetos, o único viés é a palavra. Falar, falar até esvaziar... Legitimar, nomear e, então, encontrar caminhos da solução. Ele se sente compreendido e, consequentemente, amado!"
Que coisa maravilhosa isso, gente!  Aprender, sem receitas, o caminho para melhorar a nossa relação e fazer as coisas serem mais fáceis para você. Mamãe entende que você sentirá ciúme muitas vezes. Mas quer torná-lo menos sofrido e está feliz de ter encontrado o caminho. Nós te amamos, preto!

27 de fevereiro de 2013

Meu mundo


"A Gabi também tem um MUNDO? O dela é Rosa?", perguntou pra ter certeza do que via na tela do computador. 
Eu ouvi de longe e achei o máximo! O pai, que estava postando fotos, confirmou. 
Depois, o melhor: "Eu quero ver o meu MUNDO, azul!" 
Não é que você já sabe que as historinhas da sua vida, que adora ouvir de noite antes de dormir, estão todas nesse canto lindo que a gente criou, o "Mundo de Rafael"?! Que orgulho!

Gabi goleira?


"Mãe, olha como ela agarra a minha mão!", exclamou Rafael impressionado com a força da pequena Gabi, que estava em cima da banheira depois de um banhozinho. E completou: "Ela é forte! Vai ter que jogar futebol!". 
Eu logo emendei: "Futebol, filho?! Não sei se ela vai querer...". 
Daí, a sentença: "Ela vai ter que jogar no gol, porque é boa em agarrar!". 
Maravilhoso!

22 de fevereiro de 2013

Fefel, o irmão apaixonado

Foi uma boa surpresa a reação do irmãozão com a chegada da pequena Gabi. Ele se apaixonou logo de cara!
Fico pensando e acho que pra ele também deve ter sido importante vê-la nascer. Afinal, ele estava lá o tempo todo, junto com os avós, espiando o parto da janela. As fotos não me deixam mentir e uma delas revela ainda a sensibilidade da enfermeira que levou a irmãzinha enroladinha bem perto dele, para apresentá-la a quem de mais importante ela terá na vida a não ser os pais, o irmão.
 









NA MATERNIDADE
Foi um misto de carinho e agitação. Como tem sido desde o início, aliás. Assim que ela chegou no quarto, ele estava lá. Subiu logo no sofá para ficar na altura do bercinho e fazer carinho na cabecinha. A coisa mais fofa! Mas o amor não contém a energia, claro. No hospital mesmo, as visitas dele tinham de ser muito breves. No segundo dia, ai jisuis, Rafael "incendiou" o quarto. Era chegar, tirar o sapato e começar a abrir a geladeira e querer pegar todos os suquinhos de caixinha que estavam dentro. Depois, se escondia no armário, subia na pia do banheiro para lavar mãos e até os pés, levava o banquinho do banheiro para perto do álcool em gel, que passava o tempo todo na mão para tocar na irmãzinha, apertava os botões da maca, fazendo descer e subir o tempo todo, fuçava nos botões na parede da cabeceira e, não bastasse tudo isso para deixar a gente de cabelo em pé, ainda encontrou no apoio de ferro do soro uma espécie de skate! Inacreditável! Subia na base descalço e, segurando no suporte,  lá ia ele de um lado para o outro se deslizando nas rodas... Confesso que quase morri de cansaço! Só de pensar no sufoco já fico podre de novo! A vó Paula era a que mais tentava por ordem na coisa também, coitada. Era o tempo todo falando: "Rafael, meu filho, não faça isso!". Ou dando corda para brincadeira no armário, a mais tranquila. Era ele falando: "Vovó... vem me procuraaaar!" E ela: "Cadê você?! Será que saiu?!", para mantê-lo mais quieto! Depois desse dia super agitado, os seguintes foram de visitinhas mais curtas. Chegava, sentava na cama, me dava beijos e logo queria pegar a irmã no colo. Eu, orgulhosa, fazia questão de deixar.

ORGULHO
Não tem nada que me faça mais feliz do que vê-lo carinhoso com a irmã. Adoro quando ele quer se acomodar perto da gente, quando ela está mamando. Só temos que dosar a forma, porque senão ele se empuleira junto da almofada de amamentação e até atrapalha.
Diante de tanto amor, as frases de admiração e paixão não cessam mais. São tão preciosas que tenho anotado algumas desde o início, para não correr o risco de esquecer. A mais marcante e constante é: "Você é linda. Eu te amo!". Ou, falando dela pra mim: "Ela é linda!", com jeito de profunda admiração.
Ele fala espontaneamente, quase todas as vezes que se aproxima do rostinho para dar os beijinhos, que eu fico vigiando para não ficar muito perto da boquinha e nem sufocar.


Nas primeiras semanas, Rafael soltou várias frases de efeito, que anotei pra nunca mais esquecer:

-"Essa menina é uma benção, vovó!" Não precisa de mais nada, né?!

Falando pro pai, olhando a irmã no bercinho: "Eu queria tanto ter uma irmã assim... Ela é tão linda. E agora eu tenho!"

-"Ela é tão linda!", admirado.

Quando ouve um resmunguinho: "Mãe, ela quer mamar! Ou: "Ela quer peito!"

Outro dia, ouviu o choro lá de baixo. E falou pra babá: "Deixa que eu resolvo!". Saiu correndo feito um louco e quase ganhou dela na corrida. Sorte que ela conseguiu alcancá-lo porque a gente não sabe se ele ia ou não querer pegá-la do berço! rs.

-"Como é que eu posso ajudar?"- falava o tempo todo no começo. Mas só queria o filé mignon. Quando pedíamos para jogar fralda no lixo ou para parar de fazer barulho, nada feito. Um dia ouviu da avó que a gente ajuda do jeito que precisa e não do jeito que quer. Pouco depois, repeti isso. E perguntei: "Quer limpar o cocô?", só para tirar um sarro. Não é que ele quase topou?! Respondeu com um: "Tá bom!", quase que dizendo: já que não tem outro jeito, né?!  

-"Eu quero pegar ela no colo!" Sempre que dá, ponho. Acho fofo ele sentado na cadeira de amamentação com a almofada e ela no colo.

Fazendo muito barulho na sala, ouve: "Filho, não faz barulho, sua irmã está dormindo!" Ele: "Eu não queria ter essa irmã, ela só dorme!". Até entender que demora mesmo para interagir, vai tempo... hahaha!

No ouvido da irmã, que mama: "Te amo e você é linda!" Quem aguenta um apaixonado desses? Ela vai ou não ser fã do menino?

- "Que linda!", ao ver a irmã chegar na porta do quintal toda enfeitada de lacinho branco, enquanto ele pegava acerola com o pai no pé. Conquistador natural!

- "Nem acredito que eu tenho uma irmã com esse quarto lindo! Que legal... Uhhh!" Essa é maravilhosa! E se eu não tivesse registrado, já teria me esquecido.


O CIÚMES
Apareceu, claro.  Com a vovó em casa e o papai de férias, ele sempre tinha alguém à disposição. Mas de vez em quando ficava choroso pelos cantos. Um dia, a empregada pegou ele na cozinha
passando requeijão no biscoito. Ela perguntou o que ele fazia e ele respondeu: "Tô aqui me virando sozinho..."( com jeito de lástima). Fala sério! Como se ele tivesse ouvido alguma orientação do tipo ou como se alguém tivesse se recusado a ajudá-lo.
Descontou um tanto na babá que deixou de cuidar só dele e fez loucuras agressiva nas duas primeiras semanas de fevereiro. Estava se achando o próprio Avatar (viu o filme entre dezembro e janeiro umas 25 vezes!).  Mas não se deu conta que não estávamos em guerra. E o Carnaval logo no início do mês veio pra prejudicar ainda mais a situação. Achei que ia pirar! Mas, graças a Deus, e à nossa atuação imediata, conseguimos contornar as ocorrências em duas semanas. Agora as coisas estão bem melhor, ufa! Daria pra dizer que nos B.Os atuais só tem travessura.

A gente sabe que pra ele tem sido duro, afinal, era único, podia muita coisa, tinha muito poder... Como diz a vovó, a chegada da irmã transformou tudo.  Eu e o pai sentimos e fazemos de tudo para dar o carinho que ele precisa, sem fraquejar na imposição de limites. As coisas estão caminhando e temos orgulho da família que estamos construindo a base de muita disposição, coragem e trabalho.

MAKING OFF
Ainda no hospital, tivemos a oportunidade de nos divertir com ele no penúltimo dia, durante uma caminhada pelo corredor. Ele sabia que em todas as portas havia plaquinhas com os nomes. Daí, pediu: Vovó, lê pra mim?! E lá foi ela... De repente, a placa: Joaquim Manoel. Quando ela leu, ele disparou: "Joaquim Manoel?! Que nome esquisito!" Quase morri porque não conseguia conter as risadas, andando cheia de pontos! Uns três caras que estava no corredor também se divertiram com ele. Ai, ai... que menino! Que Deus abençõe, proteja e guarde o caminho dessas duas joias raras, Fefel e Gabi! Amém.



3 de janeiro de 2013

Boa praça


Você é um menino muito articulado mesmo. Em novembro, foi entregar o carro da irmã, operada, com o papai na casa dela e voltaram de táxi. Daí, o motorista falou, segundo o papai: "Tô com muita fome!"
Não pensou duas vezes e fez: "Vamos comer lá em casa então. Tem uma carninha gostosa!".
Seu pai conta que o taxista achou graça. 
Também, não é fácil encontrar um cliente boa praça desses por aí. 

30 de novembro de 2012

O tal do besouro




O nome do bicho é horrível e eu nunca podia imaginar que isso ia virar assunto para destacá-lo na escola, filho: "Besouro Rola Bosta". Quem inventou isso, gente?!
Hoje (29/11) fui te levar e a professora de português, Miriam que você adora, me pegou na piazza, o pátio comum perto das salas de aula: “Que memória privilegiada seu filho tem, hein?!”.
Eu disse: “Por falar em memória, você não imagina como ele é jogando memória... Ganha de mim e do pai sem a gente deixar!”. Pura verdade! Você se lembra dos lugares onde estão peças que apareceram no início do jogo, muito tempo depois. Ficamos os dois boquiabertos, sempre.
Bom, daí a professora fez: “Ele sabe o que é o besouro rola bosta!” Hahahahhaha!
Coisa do vô Marcos, que te apresentou o nome e o bicho no feriado de 15 de novembro, aqui no quintal.
Ela contou então que a outra professora, se não me engano a Dani, falou impressionada: “Miriam, adivinha quem conhece esse besouro? O Rafa!" E disse ainda que a outra só conhecia o inseto porque tinha ouvido falar uma vez, mas ficaram as duas impressionadas de ver que você conhecia o bichinho, só de bater o olho! Eu contei que foi o vovô que o apresentou.
A Miriam me disse ainda que morou em casa com jardim, mas nunca tinha ouvido falar no tal besouro. Daí, concluiu: “Depois dessa, agora sempre que a gente quer saber de uma coisa a gente fala: mostra pro Rafa!”.
Ai, ai... chega a ser curioso porque na hora que eu ouvi o vô Marcos te ensinar o nome do bicho – sem desconfiar que pudesse ser conhecido por mais alguém – quase morri! Com um sobrenome desse, ia cair no seu gosto, claro! Só que logo pensei na estranheza que isso ia causar em quem te ouvisse falar... Mas, ao contrário, causou foi boa impressão! Que beleza, filho!

25 de outubro de 2012

Já sabe o que quer ser na vida

"Mãe,
quando eu crescer vou querer ser guarda, policial, bombeiro e garçon de padaria, como aquele ali!", afirmou no último domingo, 21 de outubro, enquanto tomávamos café juntos na padaria perto de casa. Hahahahah. Achei o máximo! Já pensou?! De onde vem uma ideia assim, né?!
A carreira na polícia já é um desejo antigo que você expressa... mas a vida de atendente é novidade. Deve ter achado importante também, né?! Afinal, para comer gostoso fora de casa a gente depende deles.
Fefel, com você a gente se diverte!

22 de agosto de 2012

Rafael e os cavalos

Era uma vez um menino de 3 anos e meio que amava cavalos. Mais que qualquer outro animal. Vejo-o de longe, no lombo de mais um... Desta vez um branco, imponente como só ele. Assim como está, não quer fazer outra coisa. Ainda mais no meio desse verde lindo de montanhas e árvores cravadas num vale em torno dessa pousada belíssima, em Monte Verde. A nossa preferida na cidade. Não há vento mas faz frio. Ainda é inverno mas Rafael não se intimida. Estamos nos aproximando do fim de tarde desta quarta-feira, 22 de agosto, de 2012. Ele corre para lá e para cá, atrás do tratador dos cavalos... traz comida, carrega feno... De repente, olha ele lá, aparece de trás das baias, pisando no casaco de moleton que o aquecia. Parece que eu já previa que não demoraria muito para ele ficar só de camiseta, enquanto estou aqui, escrevendo, dentro de um salão de vidro, aquecida num casacão. O pai, outro apaixonado por cavalos, mas que também já se disse admirado com a paixão do filho pelos marchadores, segura a roupa e fotografa, muito. Quer registrar o que o nosso coração não perde: a emoção de estar de férias, ao lado do nosso pretinho, curtindo uma segunda gravidez, a da Gabriela, nesse lugar de paz, que tem a nossa cara. Vejo o nosso filhote caminhando pelas oito baias, lançando feno pelas janelas por onde podemos ver as cabeças de alguns dos animais que ele tanto aprecia. O amor é tamanho que ele mesmo se lembra dos nomes de alguns que só tinha visto uma vez, na Páscoa do ano passado, quando tinha apenas 2 anos e 2 meses. Se lembra e os trata como se fossem íntimos: Xodó, Campeão e Rosquinha são alguns. Mas desde que chegamos, ontem à tarde, ele já montou nuns quatro. Sai de um, quer subir em outro. E o pequeno não se cansa. Parece uma sombra do tratador que hoje, assim como ele, está de camiseta verde musgo. Reapareceu agora carregando uma latinha, que não dá para saber do que é. Daqui, uns 200 metros de distância, ou pouco mais, consigo ouvir a vozinha desse amante dos animais que é um entrevistador, sempre cheio de assunto e de curiosidade. Não fica parado, não fica calado, não se cansa. Vive ligado! É uma coisa linda, envolvente... um serzinho cheio de vontades e de coragem. Não tem medo e, como qualquer criança, não tem noção do perigo. Acaba de sair de dentro de uma baia... Não demora nada, já entrou em outra... nem o vejo mais. O tratador já apareceu... ele vem depois. E corre... de novo. Agora uma grande árvore o esconde dos meus olhos... mas aos poucos ele reaparece, ajudado pelo tratador, carregando um bloco de feno e, de novo, entrando numa baia. E a tarde de vai.... Um dia de prazer que fica na nossa história. Rafael agora adula um pônei, que parece um cavalo anão, de tão gordinho. É o Faminto. Do tamanho dele, mas os grandes são os preferidos. Entrou no terreno onde os animais passam parte do dia soltos. Ali tem duas cocheiras. A do anãozinho e da de um cavalo novo, Chocolate. Está lá, todo descontraído, no meio dos animais, de ajudante do tratador enquanto o pai o vigia de fora e eu os admiro daqui. Já estou pensando como será quando a Gabi tiver nascido... na nossa próxima vinda. Gabizinha no carrinho e Fefel aventureiro como sempre, se esbaldando nas cavalgadas acompanhado pelo pai. Deus nos abençoe!

13 de maio de 2012

Terceiro Dia das Mães

É sempre lindo comemorar uma data graças à sua existência. Pena que a gente more tão longe das nossas mães, suas avós. Ganhei de você e do seu pai um livro - "De mãe para filhas" - e o colar que tive e uma empregada (louca!) me roubou, com o berloque de outro e um diamantezinho, simbolizando você. É o Rafael que eu sempre carreguei. Amei. Fui ler um pouco do livro enquanto a gente brincava lá embaixo hoje cedo e vi que são registros de várias mães sobre o que querem deixar como legado para as filhas mulheres. Eu pensei na minha mãe escrevendo para mim... e consegui imaginar o que ela diria, até porque pra mim é muito claro. O discurso, as ações, a coerência, os valores, as orientações, o exemplo, o não julgamento e a ajuda de sempre tiveram um peso enorme no que eu sou hoje. Pra resumir, uma mulher de 34 anos, sábia, eu diria, e uma mãe incomum. Sou uma mãe que está em constante movimento, que se sente desafiada, provocada e não se acomoda. Não espero o tempo passar, não acredito apenas em fases, estou sempre em busca de transformações. Vejo suas inúmeras qualidades, singularidades, mas também as suas dificuldades. E não me acomodei nunca em buscar ajuda para transformá-lo, desde já, numa criança que respeita limites e a diferença. E continuo trabalhando para isso. Quero ajudá-lo a ser uma criança feliz e agradável, amiga, sensível, delicada. Porque o resto necessário, você já tem: saúde, esperteza, energia, inteligência, curiosidade, força, garra, disposição, habilidade e coragem. O que mais a gente precisa diante de tantos bons adjetivos, né?! Dosar todo esse poder aí. E estamos firmes nesse trabalho, filho. Você já se transformou e eu tenho certeza de que o que falta virá, porque nós temos disposição e coragem para buscar. Vejo que a minha mãe também me preparou para ser alguém que sabe lidar com as diferenças, com as frustrações e com as durezas da vida... Me ensinou a ter coragem, determinação - principalmente pelo exemplo! E me deu as bases para que eu me sinta forte e preparada para encarar a vida e curtir o prazer das conquistas que também aprendi a buscar. Se hoje tenho 9 anos de casada, foi baseado também no exemplo dela, de acreditar numa vida a dois, que eu consegui. Sinto que sei lidar bem com as frustrações porque desde cedo ouço que a vida é dura. Felizmente, Deus tem sido muito bom conosco e as durezas nem tem sido tão pesadas assim. A gente tem sorte e merece também! Pois então, eu quero, como mãe, poder te oferecer uma orientação bacana, para você sofrer o menos possível e conquistar tudo o que você puder e quiser para ser também na vida adulta o que já é: uma pessoa feliz. O DIA Passamos um bom tempo em casa e lá pelas 2h da tarde fomos para a Bizuca, para o almoço. Foi uma delícia. Chegamos lá, estava a família toda e o João, por quem você selou o seu amor. Antes de hoje, tinha sido praticamente um único encontro por lá. Mas você se lembrava muito bem. Hoje, não desgrudou dele. Depois de se instalar no quarto dele por um bom tempo, ficou explorando todos os instrumentos da casa: o piano, o cavaquinho, o microfone. Aproveitou a porta do banheiro, que é de correr para a lateral de uma estante, e ficou se apresentando. "Rafael...", anunciava. Fez teatro como se tivesse num palco e correu a cobertura toda. Amou. Bizuca e o namorado, Izvy, incentivaram, deram corda... Foi uma felicidade. Vó Mariah deu mais presentes, como sempre. Um jogo de canetinhas, tintas e lápis, como o do Super-Homem que você também ganhou dela e um jogo de golfe! Engraçado que você sabia do que se tratava, mas não tinha ainda. Voltamos felizes da vida. E você nem fraquejou, mesmo depois de ter dormido muito menos do que o normal, afinal, ontem fomos com você para um casamento e você se esbaldou na pista de dança até quase 1h da manhã. Fala sério!!! Ô menino baladeiro. Parece o pai, adora uma festa! Ainda bem que você é assim, filho. Divertido, animado, empolgado, disponível. Obrigado por ser como é. Eu tive um felicíssimo Dia das Mães, o melhor até aqui.

Falação - 3 anos!

Perdi ritmo com os registros desde que a vida profissional se transformou numa maratona... Mas agora, a quatro dias de ficar longe de você, pela primeira vez, desde o seu nascimento, para uma viagem profissional bacanéssima à Suíça, não resisti. Levantei da cama, nesse frio, e vim. Já estou com um papelzinho amassado com umas frases que venho anotando para não esquecer. Então vamos lá, para um rápido registro da sua nova fase de FALAÇÃO. Cada uma mais surpreendente... Agora, além da fala, tem perspicácia no conteúdo de muitas delas... ou, simplesmente, a comprovação de que você presta atenção nos tempos verbais e na vida. É curioso ao extremo, com tudo. Quem dúvida que herdou isso da gente, né?! - "Você acordou me provocando!", disparou para o vô Agripino um dia da Semana Santa, lá em Fartura. A casa estava cheia e ele ficou mesmo pegando no seu pé. Num café da manhã, ele tirando onda, você vai e solta essa. Foi engraçado! Depois ele ficou rindo...
- "Que tal o meu pai me levasse e o táxi me trazesse?", na natação. Verbos irregulares são duros! E vai demorar muito para você entender, mas o que eu achei o MÁXIMO é você já ter a noção de que a terminação é essa mesmo. Eu me vejo aprendendo outras línguas em que muitas vezes, arriscava falar sem ter certeza e acabava acertando ou alguém me corrigia, o que era ótimo. - "Mãe, o que não pode fazer ali naquela placa?" Essa foi surpreendente! Eu e seu pai ficamos de queixo caído. Estávamos a caminho da Polícia Federal para fazer o seu passaporte. A placa, no caso, era uma de "PROIBIDO ESTACIONAR". Você viu a letra E e a faixa vermelha no meio. Acho que se lembrou da placa em frente de casa - "PROIBIDO BUZINAR", por causa do hospital que funcionava na esquina. Uma vez, há muito tempo, te expliquei que a faixa no meio era para dizer que não podia. Daí você lembrou, meses depois... - "Vou ser pajem! Vou usar gravata!", sonhando com a imagem de homenzinho. - "Eu não deveria ter feito isso!", assim mesmo. Falando sobre a peça do quebra-cabeça do Mickey que você destruiu e, quando montou, viu o buraco. - "Cuidado para não cortar a mão!", eu disse. "Mãe, você sabe que eu sou bom em tesouras!". Confiante que só você mesmo, aos três anos. É um Nascimento legítimo! E completou: "Você deveria me emprestar todas!". Até parece né, filho?! - "Mãe, vou ler um jornalzinho!"- Te peguei assim, no quintal, sentadinho na fonte. Filho de peixe!
A gente te ama e se orgulha de você, mesmo com o desafio que nos impõe de tanta esperteza! Deus te abençõe.

2 de maio de 2012

Pajem pela primeira vez

Trabalhando como nunca, tenho feito muito menos registros sobre o seu desenvolvimento, filho. Mas às vezes, me pego arrependida por ter deixado o tempo passar sem escrever as histórias. A de agora, uma das mais atrasadas, é sobre o seu primeiro casamento como pajem. Tia Gá e Matheus convidaram ainda no ano passado, 2011. Fiquei super feliz e lisongeada. E, desde o início, falávamos sobre a experiência. Até que não demorou muito e ela chegou. Não tivemos oportunidade de ensaiar, mas eu passei meses te preparando para a responsabilidade da coisa. Imagine, arteiro como é, chegar lá e ficar aprontando...A primeira coisa que você falou quando relembramos do casamento já este ano foi: "Eu vou usar gravata!". Que coisa! Depois ficou se gabando, dizendo que ia ficar igual ao noivo... Ô vontade de crescer, viu?! O GRANDE DIA Fomos para BH no sábado mesmo, dia da festa, 21 de abril. Quando você viu a roupinha, separada e pendurada, lá na casa da tia Gá, quase enlouqueceu. Quis vestir na hora, tudo. Enlouqueceu com a gravata e quase não quis tirar. Mas a festa era só à noite e não podíamos correr o risco de sujar nada. Passou a tarde querendo tomar banho para se arrumar logo... demorou. Na hora do banho, não fez nenhuma estripulia, me deixou secar o cabelo, para ficar arrumadinho, e se empolgou. Bonitinho! Ficou lindo com a roupinha toda: camisa branca, gravata prateada, colete - que usou no dia seguinte até para ir à churrascaria - e terninho. O sapato já tínhamos comprado lá em Fartura, quando fomos para casa da vó Nair na semana santa. Ainda bem que encontrei. Ficou perfeitinho.
Pena que não tiramos foto da família antes ou no início da cerimônia, gente. Uma data a ser lembrada. Achei que estávamos atrasados, mas chegamos bem antes. Você ficou tão envolvido, que nem queria falar comigo quando me aproximava para te elogiar. Todo comprometido, já se apaixonou pela daminha, a Bianca, de cara e ficou lá todo responsável, na função. Hahahahah! Na hora que começou, eu quase tive um troço. A irmãzinha dela, Ana Luísa, com um pajenzinho menor do que você entrando... coisa fofa! Daí aparece você e a Bianca, lindos. Você todo sério, nem sorriu. Mas fez tudo direitinho. E ela lá, no comando. É demais isso, gente!
Me emocionei no casamento do início ao fim. Foi a coisa mais linda do mundo. Nosso primo Matheus é um menino ímpar. De uma sensibilidade, uma seriedade, um comprometimento, um romantismo... fiquei boquiaberta com os votos que ele fez, as declarações de amor para a Marina. Menino de ouro! Não te vimos depois da entrada, porque ficaram lá na frente, sentadinhos. Só o vô Marcos conseguia, mas a notícia que tivemos é de que você passou o tempo todo quietinho. Incrível! Tá crescendo mesmo! Na saída, mais uma caminhada... e a gente admirando. Na festa, você se esbaldou. Corria feito um doidinho, pra lá e pra cá, atrás da "Bianca!". "Cadê a Bianca?", perguntava o tempo todo quando não a via. Dançaram juntos, se esbaldaram. Fiquei feliz com a sintonia. Se deram bem, se gostaram... A gente só tinha se visto uma única vez, em que você, perto dos dois anos, aprontou. Então foi uma maravilha. E nós ficamos te corujando. Ficou firmão até 1h30, quando foi embora com a vó Paula, já dormindo. No dia seguinte, quis vestir a roupa de novo. Amou. Vira e mexe, quando falamos de alguma festa chique, diz que quer usar a roupa de pajem. Ainda não se deu conta de que não é sua de verdade, apesar de eu já ter explicado. Foi uma graça e a gente nunca vai se esquecer da sua primeira vez, pretinho, como pajem. (faltam as fotos)