22 de março de 2012

Mais que adaptado na Beacon








Depois de muito tempo, de mais de um mês, estou de volta aqui para fazer um registro gostoso, sobre a sua nova escola. Acabo de voltar da reunião de pais, a primeira depois da adaptação. Foi muito bacana, estamos orgulhosos de tudo o que a mudança tem significado. Você se adaptou super bem, para a minha tranquilidade. A coordenadora da antiga escola teve razão quando disse que você faria a transição numa boa. E eu passei tanto tempo angustiada, com medo da mudança, achando que você podia sofrer com uma decisão que era nossa, minha e do seu pai. Ainda bem que persisti, fui corajosa e mantive a decisão de ceder ao encantamento e ao desafio de fazer uma escolha que tinha de ser sustentável, no aspecto financeiro.
A reunião era para falar de tudo o que vem sendo desenvolvido com vocês nas aulas. Ficamos admirados... logo logo a mamãe registra.
Você já tem demonstrado que gosta de tudo e outro disse que "ama a escola". Que maravilha! Vira e mexe, fica cantando umas musiquinhas em inglês. Conta, conhece os nomes das formas (circle, triangle, square) e faz associações. Ontem, peguei uma estrelinha, das que demos de surpresinha no seu aniversário, e quando falei a cor em inglês, pink, você completou: "Give a wink!" Mas o inglês começou a aparecer nas frutas. Um dia, no fim de fevereiro, liguei para saber como tinha sido a escola e perguntei sobre o que tinha comido de fruta no lanchinho. Você respondeu: "Watermelon!". hahahah! Daí, há duas semanas começou a correr pela casa falando: "Six, seven, eight!" Antes disso, já estava conversando de um jeito enrolado, como se estivesse pronunciado palavras em inglês. Às vezes ainda é assim... fica falando coisas incompreensíveis com som em inglês. Tá se adaptando à sonoridade da língua, já percebi.
Outro dia no carro, te levando para a escola, estávamos conversando sobre bagunça e eu relembrei da música da outra escolhinha: "Guarda guarda guarda, bem guardadinho, se guardar direito acha tudo arrumadinho!", que é fofa. Aí você respondeu exatamente assim: "Lá é 'putting the toys away!". hahahahah!!! Fala sério!!!!
Da semana passada para cá, tem cantado várias musiquinhas. "Row row row the boat..." ou "Teaddy bear, teaddy bear...", entre outras. São umas quatro que você vem cantando e eu fico louca para apreender. A professora, toda vez que comento, diz que você está super bem com o inglês. Acho engraçado, porque a minha expectativa maior nem era a de te ouvir falar em casa. Achei que fosse demorar mais. Eu fico feliz por tudo que a escola tem, por você estar gostando, pelo ambiente ser lindo, por você ter espaço para explorar seus potenciais, pintar, brincar na areia, mexer com água, brincar no parquinho, com o coelho (o bunny), tomar banho de chuveirão no calor...
Sexta-feira passada recebemos uma pastinha com um relatório sobre o seu desenvolvimento. Escreveram que você gosta de experimentar, se envolve em todas as atividades, nunca está sozinho, sempre chama os amigos para participarem de alguma coisa com você, é independente, gosta de livros e adora brincar de faz de conta (make believe). Principalmente quando tem fantasia... as de chapéu são as preferidas, segundo as professoras. Lá também está escrito que você ainda tem reações fortes quando se frustra e que elas estão trabalhando isso com você.
Ainda é um ponto que pega de vez em quando. Já aprontou umas três com o Pedro, o amigo que tem cara de lord: branquinho, grande, de olho azul e cabelo loiro. Deu duas mordidas, em semanas diferentes. Uma por ciúmes, porque ele pegou a sua garrafa. E outro dia, arranhou. As ocorrências estão super reduzidas e a professora diz que isso é normal da fase, apesar de trabalharem para que você e outros apreendam a verbalizar e não a agir com "violência". Hoje, no encontro com a mãe do Pedro fui me desculpar e dizer que a gente tem conversado bastante com você. Mas ela é ótima, bem resolvida, me ajuda muito ao considerar que não é nada demais, que tudo bem... Que maravilha, meu Deus!

A ROTINA

Na reunião, elas explicaram o que está sendo trabalhado. Como assunto, vocês estão começando a falar das origens. De onde vieram os nomes, quais eram as atividades e comidas preferidas do pai e da mãe, etc. É um resgate, para aprenderem quem são e também entenderem as diferenças. Nas atividades, em tudo tem noções de pedagogia: conviver com o outro, respeitar, aprender regras, limites, a entrar numa rotina. Depois, culinária, música, histórias, memória, matemática, lógica, observação do tempo, do calendário, dos dias... As formas, os tamanhos, as cores. Coisas que você já sabe e está na frente de muitos coleguinhas que só tem dois anos e meio ou até menos que isso. Numa turminha de 10, cinco são pequenos e cinco regulam a idade com você. No começo tinha ficado preocupada, antes de ver os maiorzinhos, achando que você ia ser puxado para trás, na convivência com crianças que estão numa fase que você viveu há um ano. Mas a escola disse que essa diferença é comum em todas as classes e que as professoras trabalham com os potenciais individualmente. Depois de me explicar toda a questão pedagógica, a coordenadora me disse que, como mãe, sempre é mais fácil ter um filho que está à frente do que um que tem de correr atrás. Mas a tranquilidade veio mesmo numa conversa com a vó Paula. Quando eu disse que achei que você seria prejudicado, porque não aprenderia como poderia, já que estava num grupinho muito infantil, ela disse, sem rodeios: "Isso é uma fantasia da sua cabeça! Ele vai aprender sim. Não tem como o Rafael ficar pra trás. E vai aprender a lidar com as diferenças. Vai ver que nem todo mundo tem as mesmas habilidades... e terá de aprender a esperar." Foi decisivo para nos tranquilizar, até porque seu pai considerou que isso pode ajudar quando chegar um irmãozinho/a.
Pois então, a gente está bem satisfeito. Conhecemos hoje detalhes da sua rotina, coisa que na outra escola nunca foi possível. O retorno sobre o trabalho que era feito vinha de uma forma bem diferente, sem muitos detalhes. Então, hoje descobrimos que ao chegar vocês ficam brincando um pouco fora. Quando a aula começa, todos no "circle" com objetos. Depois, alguma atividade. Logo chega a hora do lanche e do playground, onde vocês convivem com crianças de todas as idades. Depois, pra diminuir o ritmo, todo mundo deitado em colchões ou almofadas. Ao som de músicas mais calminhas, fazem massagem uns nos outros, 'cosquinha' de leve com pincel na orelha... coisinhas para relaxar. Depois é hora de alguma atividade, com a professora de português. E, por fim, antes de ir embora tem a musiquinha do "Bye Bye, we're sorry to see you go... see you tomorow...".
No fim da reunião, elas distribuíram um artigo do THE NEW YORK TIMES sobre crianças bilíngues. O texto diz que os estudos tem demonstrado com bastante frequencia que as crianças bilingues são mais inteligentes, porque tem mais estímulos numa parte importante do cérebro, aprendem a fazer mais associações, entre outras coisas. Então, é mesmo uma felicidade poder te oferecer uma escola tão bacana, tão gostosa. Viva!!! Que Deus nos abençõe!

12 de fevereiro de 2012

Ano Novo em Maringá

Tia Gi acaba de me cobrar por não escrito nada sobre o Ano Novo em Maringá. Disse que a Kalu estava inconformada. Pois bem, estou aqui, agora, domingão, 12 de fevereiro, às 21h, para não deixar frustrações, claro, e também para fazer o registro. Quase não escrevo sobre os Natais em BH e Reveillons na família paterna porque tem muita gente para lembrar das histórias. Daí, acabo não fazendo isso nunca. Aliás, acho que fiz um único registro de fim de ano desde que você nasceu. Mas daqui pra frente, não faltarão essas histórias. Ah, faltam as fotos também, que nós não tiramos.
O Ano Novo de 2011/2012 foi diferente de todos os outros. Não fomos para Fartura, como sempre fazemos. Já havia um plano na família de irmos todos para lá, porque como a data ia cair num sábado, ficaria mais perto para Tia Rô chegar com as meninas. Nós topamos, afinal, seria também uma chance de conhecer a cidade e a casa da tia Gi, que a gente nunca tinha ido. Com o vô Agripino e a vó Nair na cidade desde o início do mês, aí ficou mesmo definido.
Tia Gi e Kalu nos esperaram no aeroporto, numa quinta-feira, 29 de dezembro. Fomos direto para casa delas, onde os avós nos esperavam. O resto da família chegou depois. Deixamos a mala e já fomos direto para o clube, que o Pedro, tio, providenciou. Você se esbaldou. Passamos o dia lá...
Pedrinho, que estava nos Estados Unidos havia dois anos, voltou pro fim de ano com a namorada nova, Luna. Te pôs na moto, brincou com você junto com a irmãs, Kalu e Ju, e inventou de te levar no Trampolim da piscina. Lá também tinha um Toboágua que você já estava indo com a Kalu numa boa, feliz da vida, com bóia. Mas trampolim foi demais para uma criança que não tinha nem três anos. Virou atração no clube, nos dois dias, mais pela loucura da coisa, do que pela coragem que teve. Eu, com o coração na mão, fiquei vendo aquilo tudo de longe, apática, confesso. E torcendo para não dar nada errado.
Você estava à mil... correndo, pulando de uma piscina na outra, quase sem comer, de tanta atividade. A vó e o vô chegaram e curtiram a tarde também. Fomos embora já eram mais de 9h da noite, para o hotel, onde ficamos. Um quarto gostoso, com blackout, que te permitiu dormir bastante. Mais do que eu esperava. O escurinho favoreceu e eu cheguei à conclusão de que seria bem bacana ter um aqui em casa na sua janela.
No dia seguinte, sexta, a família aumentou na cidade. E deu clube também. Tio Du fez o churrasco. Você passou o dia na água. Preto, preto! Já de noite, Nat, Mila e o namorado, Lucas, Flávia, tia Rô, tio Heitor, tia Si, tio Lelo, Breno e Luca chegaram. A churrasqueira lotou! A família Nascimento é enorme e quando junta todo mundo é uma festa só. Ficamos lá até bem tarde também. Todo mundo te corujando, uma delícia.
No sábado, dia da festa, passamos na casa da tia Gi e você aprendeu a música hit do momento, "Ai se eu te pego". Um barato. E grudou na Kalu e no noivo, o Rômulo. Não deu sossego para os dois um segundo sequer. Eles deitavam, lá estava você na beiradinha da cama, junto, colado. O Rômulo te adotou. Kalu contou que teve uma hora lá que ele disse algo do tipo: "Esse era o filho que eu queria ter!". Pretinho como a Kalu e a cara dela - pode até ter gente que não acha, mas pra mim, é a prima mais parecida - parecia mesmo filho dela. Depois, ainda inventou de te emprestar um colar do Palmeiras, na ida para sorveteria, e quase arranjou confusão para você, que foi obrigado a ter de pensar sobre isso. Pedrinho ficou te pressionando para tirar, porque ELE era o seu primo. E é corinthiano como você. Imagine só! rs.
Seu vô ficava brincando com você, tirando onda, fazendo peguntas para testar a sua inteligência. Tudo para rir com as suas respostas. E vive dizendo que você "é de tirar picapau do oco!". Sem brincadeira vô! Pra completar, vale a expressão do outro vô, o Marcos: "Põe fogo no chapéu do guarda!".
Vó Nair te pega no colo, diz que te ama, que estava com saudade... te choca também. Eu fico lembrando dela aqui em casa, quando você tinha acabado de nascer.
Enquanto falávamos da festa, você quis saber se também ia vestir a roupa toda branca. Até comprei uma camiseta nova, num passeio pelo shopping com a Kalu e a Mila. Você queria estar igual a todo mundo.
À tarde consegui te levar para dormir no hotel, porque senão a festa teria sido totalmente perdida. Voltamos à noite, já devia ser quase 10h. Todo mundo lindo, de branco, a casa toda enfeitada, mesas decoradas, tudo perfeito. Tia Gi é caprichosa, tem bom gosto, acertou em tudo.
Na hora da virada, os fogos voltaram. Nos dois anos anteriores, desde o seu nascimento, tio Du não os fez. Eu insisti com o seu pai, para que você pudesse ter a noite tranquila.
Deste vez, maiorizinho, nem lembrei... Mas você não gostou. Teve medo do barulho forte, chorou e pulou no meu colo. Mas teve interesse de ver as luzes que apareciam no céu, principalmente as que estavam distantes, soltadas por vizinhos, onde o barulho não te incomodava.
Na hora da ceia mesmo, você já estava podre. Ficamos lá um pouquinho depois da virada e já nos levaram para o hotel. Nós dois.
Depois do Ano Novo ainda tivemos mais dois dias na cidade.
Seu pai ficou anunciando para todo mundo que você teria um irmão este ano, que ia nascer em outubro, na data do tio Du, etc, etc... Estavam achando que era brincadeira. Mas não, nós queríamos mesmo. E encomendamos. Não é que veio de lá?! A família ficou toda feliz, achando que nós já sabíamos e não contamos.
Ou seja, teremos recordações eternas desse fim de ano delicioso.
Maringá é linda, a família é nota mil, a festa foi super bacana! Feliz 2012 para todos nós!

8 de fevereiro de 2012

Férias em Toque Toque

As férias na praia foram uma delícia! Fomos para Toque Toque Pequeno, na casa que alugamos do amigo do seu pai, Roberto, colunista de economia do jornal. Fomos eu, papai, você e a Dorinha. Mamãe resolveu levá-la porque queria poder descansar, estava mesmo precisando. E porque tinha assumido o compromisso comigo mesma de começar a escrever o livro que eu tanto quero que seja publicado um dia, sobre a superação dos desafios que apareceram depois que você fez dois anos.
Fomos de carro, pilhados. Quando você tiver um irmãozinho ou irmãzinha não vai caber tudo o que levamos. Seu pai nem podia enxergar os carros atrás, só pelo retrovisor. Das suas coisas, só faltou a bicicleta. E eu, que não sabia que supermercado entregava lá, levei tudo o que tinha vontade.
A viagem é um pouco longa comparada com outras praias, porque esse é uma das mais distantes, mas deu tudo certo. No caminho, tivemos de comprar outra bóia para você e a Dorinha te deu um boné do Corinthians. Bom que usou, pra ajudar a proteger contra o sol insano.

CHEGANDO
Chegamos lá já era quase o fim do dia, umas 6h da tarde. Mas ainda estava claro. A localização não podia ser melhor, com o pé na areia. Jardim de frente para o mar, ô maravilha. Nada melhor que isso. Você logo viu os quartos e avisou: "Esse é o meu quarto e da Dorinha!", já animado com o que seria de vocês mesmo, com duas camas de solteiro. Nesse dia ainda fomos para praia no escuro, tirar fotos e curtir o calor, além de observar as estrelas.

A PRAIA
Do dia seguinte em diante, todo dia era praia. Só choveu num, de 12 que passamos por lá. Você não saía do sol, do mar. A piscininha nem usamos, porque seu negócio mesmo era ficar dentro d'água. Entrei todos os dias com você e papai em quase todos. Nos dias de mar mais bravo, íamos juntos e você com bóia. Adorava pular ondas. Nos últimos, quando eu anunciava que vinha uma grande, você dizia: "Mãe, é de cabelo?", porque toda vez que vinham fortes, eu saltava te segurando de costas para a onda e o topo dela sempre quebrava no seu cabelo, o jogando um pouco para frente. Por isso a pergunta. As de cabelo eram as melhores. Nos dias de mar tranquilo, nada de bóia! Ficava na pontinha. Com o passar do tempo, começou a entrar um pouco mais e a ficar mergulhando ali. Uma beleza! Eu e seu pai quase morríamos de tanta felicidade. Te ver mergulhar com autonomia, sem medo é uma das melhores coisas. Não saía do mar. Se já é preto, ficou mais ainda. E olha que eu não bobeio no protetor. É o tempo todo para amenizar, porque esse sol castiga. E você, apesar de pegar cor rápido e de ser pretinho mesmo, vive protegido. Judiação deixar uma pele de quase 3 anos quarar. Pedir para ficar na sombra é coisa inútil, só para me chatear, porque você, só para provocar, se enfia ainda mais debaixo do sol.


O RIOZINHO
Um dia, no começo, falou para mim: "Eu quero ir no rio que o Florestan falou!". Simplesmente lembrou que ele tinha te contado que lá na praia ia ter um riozinho. Seu pai era o mais animado a te levar, mas fomos juntos todas as vezes. Eu confesso que o cheiro não me agradou muito, mas tudo bem. Nem quis pensar sobre eventuais problemas, até porque tinham outras crianças por lá. E você adorava. Tinham uns peixinhos pequenininhos pretos que você tentava pisar em cima, mas nunca conseguia, claro. E, no caminho, ficava observando os urubus, todo impressionado com o pássaro.

O SURFISTA
Levamos a prancha que o vô Marcos deu de Natal e foi um sucesso! Você pegou muitas ondas. O mais bonitinho é que presta atenção nos outros e copia. Pula com a barriga com uma autonomia que parece mini-surfista. Eu prendia no meu braço e de empurrava até a frente. Ficávamos assim... brincando. Você subiu em outras pranchas, brincou com crianças que também tinham as dela... e ficava contando que a sua era do Batman.

O CAPOTE
Um dia, perto do fim das férias, seu pai decidiu encarar o mar forte com você de prancha, sem bóia. Coisa de louco! Mas eu, em vez de discutir, fui buscar o Iphone para gravar e fotografar. Queria registrar. Você já tinha pegado várias ondas. E, em pleno menos duas, ele soltou a prancha para vc ir sozinho até a borda. De repente, eu, gravando, vejo uma onda enorme se aproximar. Só deu tempo de gritar para o seu pai, para avisar. Filho do céu, que perigo. Só sei que ele foi tentar pular com você e não dava mais, porque ela já estava quebrando onde vocês estavam. Só vi o capote. Fiquei desesperada, mas continuei a gravar. Depois daquela você saiu meio assustado dizendo que não queria mais surfar. Passou claro, mas foi um susto e tanto. Até para o seu pai. Graças a Deus que deu tudo certo.

A CASA
Pintou, bagunçou, brincou... e assistiu os filminhos no DVD que a vó Paula deu todos os dias. Levei umas tintas guache para você brincar, mas foi duro segurar para durar muitos dias. Você queria gastar tudo de uma só vez. Pintou dois quadros lindos que eu quero acreditar que foi sozinho. Pelo menoso preto eu sei que sim, mas o outro você sempre disse que a Dorinha te ajudou. Vamos colocar na moldura para pendurar no quintal. As massinhas também. Fizemos várias coisas, modelando.

A CASA DO KOTSCHO
No nosso primeiro fim de semana fomos passar um dia lá. Você não queria ir embora. Mas a neta preferida foi a Bebel, que brincou com você o tempo todo. Você se divertiu com o três, mas ela é fofa demais. Ficou na piscina um tempão, brincou na sauna desligada de casinha com as meninas e até assistiu um pouco de vídeo. Na hora do almoço, se deu conta do que é um camarão. Já tinha comido, mas amou. Depois daquele dia, seu pai fez pra você em quase todos os outros. "Filho, advinhe o que tem de almoço", ele perguntava. E você: "Palmito, camarão!" ou "Azeitona, camarão! Entrou para a sua lista de preferências. Só não os vimos mais na praia, uma pena.

AS VISITAS
Fê e Gabi, amiga dela, foram no primeiro fim de semana. Você grudou. No segundo, foram a Synthia e o Pedro com a Ester. Meus Deus, quanta confusão você arranjou com a menina, eu fiquei até envergonhada. Sabe quando a gente se arrepende de alguma coisa? Eu ali cheguei a me arrepender de tê-los chamado mas, graças a Deus, ela é uma fofa e te perdoou em todas as ocorrências. Ficava perguntando: "Cadê o Rafael?". Teve um momento em que eu estava a elogiando, dizendo para você que ela era linda e fofa. Ela, falante, completou: "E inteligente!". Achei o máximo. Você que prestou atenção nas minhas conversas sobre isso, ainda hoje costuma completar: "Mãe você é linda... fofa!... E inteligente!" rs. Ela já fala várias coisas em inglês e isso me ajudou a poder falar mais da sua nova escola com você durante as férias. Foi bom para te animar.

FAMÍLIA
Seu pai ficou tão feliz com as férias em família que disse que não queria mais outra coisa. Eu, que também já fazia planos para aumentar a família, cheguei à conclusão de que não precisamos de mais nada durante muito tempo. Até seu irmão/ã crescer, vamos continuar indo para esquemas como esse. E, se Deus quiser, no ano que vem conseguimos levar parte da família. Já fazíamos planos de ter no terceiro quarto alguém para nos ajudar com o bebezinho, enquanto você se esbalda, de novo. Foi uma delícia!

30 de janeiro de 2012

Papai Noel existe!


Estávamos os dois - mamãe e papai - no plantão de Natal. Sem a família por perto, só com vovô Marcos em casa, seria impossível não pedir a visita do Papai Noel. Eu até achava que ele poderia deixar o presente à noite aqui em casa, para você abrir no dia seguinte, mas o papai não queria... queria que você recebesse o pedido o quanto antes. Sendo assim, a gente fez de tudo para dar certo.
Você escolheu uma bicicleta, o que nos surpreendeu, afinal, você já tinha uma. Veio com isso de repente, durante a parada no papai Noel da Avenida Paulista, no início de dezembro. Disse para gente: "Eu pedi uma bicicleta para o papai Noel!". Seu pai disse que você já tinha uma e te perguntou porque queria outra. Sem titubear, respondeu: "Porque eu quero uma grande. A que eu tenho vai ser do meu irmão ou da minha irmã!". E olha que a mamãe nem grávida estava.
Bom, escolhido, ficamos o mês todo naquela história do "tem que merecer", para que Papai Noel trouxesse. Mas deu tudo certo e o grande dia chegou.

A VÉSPERA DE NATAL

Estávamos eu, Fê, papai, vô Marcos e você em casa a espera do bom velhinho. Seu pai fez a ceia, como nos últimos anos, e combinou tudo. O segredo eu não revelo!
Vovô Marcos precisou de uma massagem na barriga no meu quarto, enquanto papai continuou lá embaixo dizendo que já estava quase na hora. De repente, bate a campainha! Era ele. Descemos correndo. Chegamos na sala e já dava para ver a bota e a calça vermelha da fresta do portão. Você corria feito um desesperado, queria se esconder do papai Noel embaixo da mesa, seu esconderijo maior. Eu te convenci a sair, afinal, perder a chegada dele não seria uma boa ideia. E também fiquei correndo de um lado para o outro, como o vídeo feito pela sua irmã poderá confirmar. ( em breve, aqui!)
Quando a porta se abriu, lá veio ele, inclinadinho, andando de vagar, com a voz meio rouca. Cabelo e barba brancos, cara branquinha, bochechas rosadas e óculos. Bem parecido com o do Shopping. Eu fiquei emocionada, confesso. Uma alegria ver Papai Noel na nossa casa. Você olhava para aquilo impressionado. Daí, ele perguntou se você tinha pedido uma bicicleta e quando você confirmou ele fez: "Mas não tinha!" Você olhou para mim e murchou. Eu, rapidamente tratei de dizer: "Ê papai Noel tá mentindo! Que brincadeira boba!", (risos) para não estragar a festa. Que ideia a dele, gente! Imagine a minha angústia de você ficar um segundo que fosse sem achar que ele tinha trazido o seu grande desejo. Logo, ele falou: "É brincadeira! Papai Noel trouxe sim!". A gente enlouqueceu!
Você foi logo rasgando o embrulho e a caixa para ver o que tinha. Exatamente como o seu pai disse que você ia gostar: do Hot Wheels, vermelha e preta. Igual à do Mateus, seu coleguinha da outra escola.
Enquanto isso, ele ficou conosco. Enquanto desembrulhávamos, ele te perguntava: "Era esta mesmo que você queria?". E você não parava de observá-lo com atenção. Eu fiquei me perguntando o que passava na sua cabeça porque, pra mim, estava tudo lindo.
Ele ganhou um champanhe seu, que o seu pai comprou, você deu abraço, ficou do lado para tirar foto... nada de medo. Foram uns 10 minutos de pura excitação.
Na hora em que ele se despediu e disse que tinha que embora porque as renas estavam esperando por ele, você perguntou: "Cadê as renas?" hahahah!!! E a Fê respondeu: "Estão no telhado, né, Rafael?!" E assim foi. Nos despedimos e você ficou, todo ocupado com a montagem da bicicleta antes da ceia.

ALGO ESTRANHO

De repente começou a gaguejar querendo falar alguma coisa sobre Papai Noel. Assim: "Ele... ele... ele... é..." Eu disse: "Filho, o que você quer dizer sobre Papai Noel?". E você concluiu: "A cara dele não é igual à mão!", sem titubear. "Mas como não filho!?", perguntei. "A cara dele é de madeira!", respondeu. Vixe! Curiosa, continuei: "E a mão?". "Igual a de gente!", replicou. Mas parou por aí. O raciocínio foi fechado sem novas conclusões, ainda bem. Para 2 anos e 10 meses tá bom, né?!
Mas foi uma alegria. Sob esse aspecto, foi o Natal mais feliz da minha vida, pela emoção que ele trouxe. Nunca o Papai Noel tinha passado em casa. Quando a mamãe era pequena, ele sempre deixava o presente na árvore, enquanto nós ceiávamos na casa da vovó Natalícia. Esperar pela manhã seguinte era sempre um desafio... porque abrir mesmo, só quando a vovó Paula e o vovô Marcos estivessem de pé. Seu pai teve outras experiências, já tinha visto o bom velhinho em casa, na infância dele.
Depois dessa experiência, tivemos uma certeza: todos os anos vamos tentar esperar por Papai Noel, afinal, ele existe!


vocabulário curioso de Natal: Mãe, tô vendo a Papai Noéia! rs. Uma acompanhante de Papai Noel, vestida de vermelho no Shopping.

11 de dezembro de 2011

A Rosa e a Céu

Filho do céu, esse é um registro rápido só porque também não dá para passar sem isso. Ontem, na festinha da amiga Maria Tereza, descobri que a mãe de outra coleguinha, a Rosa, é a Céu, cantora. Agora fala sério, como eu não sabia? Estou aqui colocando inúmeras músicas dela para você ouvir e pra mim também, claro. Algumas eu já tinha ouvido, outras nunca. Já ouvi quase tudo que tem disponível no youtube e não é que você está cantando a que talvez seja a mais conhecida delas: "Menino bonito, menino bonito ai...".
Quando me dei conta, fiquei sem jeito, porque até ontem ela era a "Mãe da Rosa". Como eu, que sou a "Mãe do Rafael". A gente custa a descobrir e guardar os nomes das mães, uma coisa horrível. E não é que tem alguns que eu provavelmente ainda não sei?! Tirando isso, o nome dela é bastante conhecido, apesar dela ter dito "Eu não sou muito famosa!", quase que me desculpando pelo mau jeito. E eu, nessa coisa louca de ficar só lendo notícia de política, economia e cidades e de ficar ouvindo CBN e quase não assistir outra coisa em TV a não ser jornais, não me dei conta do quão importante ela é, pela voz linda, pelo repertório e por ser uma das cantoras revelação da música brasileira dos últimos anos. Eu sempre a achei linda nos encontros na porta da escola ou nas situações em que estivemos juntas na escolinha, mas confesso que não associei a voz da cantora com a imagem. É, porque já tinha ouvido algumas músicas dela na rádio Eldorado, mas nunca tinha a visto na TV. Sem contar que, na porta da escola e até ontem mesmo, quando conversamos mais, não daria nunca para associar a voz da cantora com a voz da mãe. Foi uma surpresa grande e, apesar do constrangimento, fiquei bem feliz de saber que a coleguinha é a filha dela. E olha que a gente já falou bastante dessa amiguinha aqui em casa, principalmente na fase em que você deu trabalho na escola. Não me esqueço do dia que te levei no jardim, fiz você pegar numa flor para te explicar o quanto a rosa é delicada. Eu dizia: "É como a Rosa, sua amiga.", para tentar te fazer entender que você não podia fazer maldade.
Bom, se é que ela ainda não é "famosa" como será, eu já tive o prazer de descobrir. Além dela ser uma simpatia é, acima de tudo, mãe da sua coleguinha. E parceira de algumas festinhas (risos) como as outras mães.

os amiguinhos da primeira turminha - G2

3 de dezembro de 2011

Kotschão!

"Kotschão!" Foi assim que você terminou o dia chamando o amigo do pai, conhecido nacionalmente como um dos maiores repórteres da imprensa brasileira. Eu achei o máximo, afinal, é a maior comprovação da intimidade que você conseguiu criar com ele. Poderia ter sido com qualquer outro bom companheiro de viagem, mas foi ele que nos acompanhou hoje até o sítio do outro amigo, Heródoto, uma personalidade também.
Sua mãe fica feliz em poder deixar registrado um momento que poucos terão a chance de viver. Se você não pode se dar conta disso, pela pouca idade, eu faço questão de deixar guardado, porque também é parte da sua história. Quando você estiver com a minha idade (33 anos), se tiver interesse pela profissão do seu pai e da sua mãe, vai ter a chance de saber que você conviveu com pessoas brilhantes, muito admiradas por nós. Vamos ao início, como a mamãe sempre faz.

O INÍCIO
Você voltou da pracinha para gente ir à feijoada de fim de ano que a equipe do seu pai e do Heródoto resolveu fazer para comemorar o ano bom, de estreia de um novo jornal, um novo formato na TV, que quem assiste já identificou. Criação do seu pai, filho, que também é admirável!
Assim que chegou em casa percebeu que tinha gente diferente. Era ele, o Kotscho (risos). Você chegou desconfiado, mas ele foi logo te receber. Te apresentei, disse que ele era amigo do seu pai, que trabalham juntos. Ele te cumprimentou, contou que tem três netos e foi para o quintal enquanto a gente se arrumava. Eu fiquei conversando com você e resolvi te contar que Kotscho era como o seu Nascimento, mas que todo mundo o chamava assim. Aí você fez: "Kot-scho?" Pronunciando certinho! Eu achei bonitinho porque você gostou da sonoridade e ficou repetindo depois. Daí, estávamos comendo abacaxi e você reclamou que estava difícil partir. Eu falei: "É porque você só tem dois anos, filho!" E você começou a perguntar: "E você?" Trinta e três. "E meu pai?" Cinquenta! (50). Aí, veio a seguinte, que não poderia faltar: "E seu avô?", apontando para o Kotscho. Respondi, rindo: "Não filho... ele é avô, mas não é o meu. É dos netos dele!". Aí fui contar que você perguntou as idades e ele respondeu: "Eu tenho 63!". Você logo repetiu: "Sessenta e três?". Começou aí a boa interação.

NO CAMINHO
Conseguimos sair de casa um pouco depois. A feijoada foi num sítio, a 1h30 de SP, no caminho de Bertioga, no litoral paulista. Ele foi de co-piloto e eu, atrás com você. Já previa o seu tédio, mas esqueci de levar brinquedos. Já na saída de SP, começou: "Mãe, quero fazer cocô!", insistentemente. Pra resumir, por causa dele, que conhece muito o caminho do litoral, soubemos que tinha um posto próximo. Mas chegando lá, você só enrolou. Comeu biscoito de polvilho, que ganhou de presente, e só parou de amolar quando te dei um chips. Até dormiu. Mas antes, foi uma novelinha que nós, seus pais, conhecemos. Mas ele nunca esteve conosco, em família, e administrou superbem. Nada de estresse. Contou até das histórias com a família, a viagem para Disney em pleno fim de ano - "Nunca façam isso! É uma coisa horrível... O mundo inteiro vai pra lá nessa época. Tem fila de duas horas para os brinquedos. Eu odiei a Disney!" (risos). E não é que valeu o conselho?!

O DIA
Chegamos lá com você dormindo - apagou uns 10 minutos antes. Mas logo acordou. Passou o dia brincando, se divertindo com os filhos de outros amigos. Todo crescidinho, com se tivesse mais do que 2 anos e 10 meses, quase. Tomou garoa, andou de trator, pediu para ver as vacas, andou por todo lado... até ir de Kombi - a famosa! - para a casa principal do sítio, no meio da mata. Eu achei uma loucura você ir com a turma sem mim e o seu pai. Mas foi ele que te autorizou a entrar no carro sem a gente. E eu insisti na prática do "abstrair". Senão vou passar a vida me estressando com coisas que deveriam ser uma preocupação comum. Aproveitei que outras amigas do seu pai - Maria e Andrea - estavam indo para pedir para as duas cuidarem de você. Acho que foi isso que me ajudou! No fim, deu tudo certo. Fefel e os Fraguinhas (Daniel, Carol, Gabi e Kadu)

Mas uma hora a gente pegou o carro para ir atrás e ver como você estava. Chegamos lá, você estava todo, todo, brincando com os Fraguinhas - filhos de outro amigo, o Fraga, da TV. Fraguinhas só no apelido porque os quatro já estão enormes. Você se deu bem com todos. Ficou lá sendo adulado e paparicado. Ê vidão! De tanta alegria e entrosamento nem foi fazer xixi. Eu, que já tinha perguntado uma vez, acabei deixando de lado... tempo demais, e aí, vazou. Te troquei e você continuou lá. A notícia é de que, na hora H, saiu dizendo: "Não aguentei segurarrrrrrrrrrrrr!", tirando onda. Na hora de ir embora, não queria de jeito nenhum. Pediu: "Fraga, fica mais um pouquinho!" E conseguiu. Saímos já eram quase 18h30.

A VOLTA
Na volta, nós quatro de novo. Em vez de dormir, passou um tempão brincando com o Kotscho, jogando a cordinha do roupão na cabeça dele, que estava na sua frente. Ele entrou na brincadeira. Amarrou na cabeça, tipo samurai, devolveu, conversou. Sem preguiça da brincadeira. E você conversando. Daqui a pouco, graças a sua insistência do "quero fazer xixiiiiii!", paramos de novo. Ele falou: "É até bom, assim a gente toma uma água!" Desceu e já te perguntou: "Quer um suco, Rafael? De laranja?" Você quis na hora. Pegou bala e suco. No carro, eu te contei que foi ele quem tinha te dado. Você não agradeceu como eu, mas registrou a informação. Cantamos um pouco e, de repente, caí no sono. Seu pai e ele ficaram conversando com você e eu nem vi o resto da viagem passar. No fim, quando passamos perto da decoração de Natal da Paulista, despertei. O Kotscho já tinha sido deixado em casa e eu nem vi. Daí seu pai começou a contar as histórias... Foi um tal de Kotschão para lá, Kotschinho para cá... Seu pai conta que você topou cantar as músicas dos animais dos Saltimbancos. Primeiro a da galinha, depois do cachorro, depois do jumento e, finalmente, da gata. Seu pai está dizendo aqui: "Cantou inteirinhas!" O que fez o Kotscho afirmar: "O Rafael está muito adiantado para a idade dele... Sabe música de cor, sabe contar até vinte!" "Rafael, você é muito esperto. Vamos ver se você encontra o Decão - neto dele - na praia", sugeriu. Agora fala que não é muito bacana alguém como ele, um dos primeiros autores que eu li ainda na faculdade, estar entre nós com tanta simpatia?! São coisas da nossa vida, da nossa profissão, que são muito bacanas. É gente que fez história na história da gente.

24 de novembro de 2011

Rafael e a escolinha

Que orgulho é esse que a gente sente de filho quando as coisas andam bem? Tô assim, hoje! Efeito da reunião de fim de ano na escolinha. Fomos hoje, eu e seu pai.
Chegamos lá sabendo que teríamos de dar a notícia que nem você sabe ainda: vai mudar de escola, coisa que eu decidi e que está partindo o meu coração. Mas isso ficou para o fim.
Passamos boa parte do tempo ouvindo sobre o seu perfil, seu comportamento, suas atividades, suas provocações com a querida Maria Tereza, tadinha! Regiane, professora, disse que você é participativo, se envolve nas atividades e gosta de determinar para que as coisas saiam do seu jeito. Disse ainda que você é prestativo ao ponto de tirar de alguém a função que foi pedida para o outro. Ex.: "Valentina, traz isso pra mim!", a professora diz. Você vai lá, corre, pega da mão da colega e traz para professora. Aí não pode, né, filho?! Mas a Cilene, que se antecipou à chegada da coordenadora, já havia dito que toda criança dessa idade - 2 anos - é egocêntrica. E a escola é importante para que vocês percebam que as coisas não são apenas como vocês querem, que há outros desejos e vontades diferentes também. Pra quem tem personalidade forte, como você, é ainda mais difícil de lidar. Coisa que elas não verbalizaram, mas a gente sabe.
Simone, coordenadora, disse que você é uma criança completamente diferente do primeiro semestre. Que hoje é possível te ver paradinho, numa atividade. Disse que você é um desafio, porque toda hora elas tem de propor algo diferente. Não existe achar que você vai ficar muito tempo numa atividade específica, monótona, que exija ficar quieto, parado... Que você exige coisas diferentes, senão perde o interesse. Ela perguntou se a gente te leva bastante no teatro, porque você adora... fica com os olhos brilhando, prestando atenção. Eu contei que tem fim de semana que você diz algo do tipo: "Mãe, hoje vai chover pra gente ir no teatro, né?!" Imagine, fruto de uma única vez que eu disse que teatro é para dia chuvoso, de tempo ruim... quando faz sol a gente vai para o clube.
Isso também apareceu no discurso. "Para o Rafael, uma única vez é suficiente para ele nunca mais esquecer!", disse a coordenadora. "Ele capta as coisas muito rapidamente, faz associações e tem uma memória incrível!" Deu um exemplo: outro dia estavam ela e a professora falando do tempo, que parecia que ia chover. Você escutou e disse: "Lá na minha casa também choveu!" Numa outra vez, pediu para a professora assistente contar a história do cabrito que fazia sei lá o que... você já contou aqui, mas eu me esqueci. E elas disseram que você lembrava detalhes depois de ouvir uma única vez. É assim também com músicas. Foi quando a coordenadora disse o que nós da família já percebemos, mas eu nunca tinha ouvido da escola: "Ele tem uma inteligência alta, acima da média. Precisa de desafios o tempo todo. Como pega as coisas muito rapidamente, ele também cansa muito rápido. E pra mantê-lo interessado não é preciso quantidade e sim qualidade. São pequenas coisas que podem despertar a atenção dele e que representem uma coisa nova, desafiadora." A descrição perfeita sobre você!
Elas contaram ainda que você conta tudo da sua vida, que foi pra Monte Verde, que lá tem o cavalo Campeão, que fala da Dorinha, divide as experiências e que todas as suas vivências têm muita importância para você. Nessa hora eu fiquei muito feliz, porque é a comprovação de que você tem uma vida bacana e de que você é feliz, como seu pai sempre diz.
Bom, no fim, quando elas foram falar do ano que vem, que o trabalho é para manter pelo menos uma pessoa que já é uma referência para as crianças, chegou a hora da gente dizer. Eu comecei a falar, seu pai completou e eu disse que ainda não tinha tido coragem de te falar, porque você ama a escola. Ela disse que era melhor mesmo, porque ia despertar uma ansiedade desnecessária. A minha decisão foi tomada num período de frustração. Eu acreditava que tinha progredido mais do que os outros no trabalho com você. Mas depois isso passou e, já há algum tempo, acho até que você pode querer voltar pra lá depois de pouco tempo na nova escola - que é encantadora, mas não é a que você já ama. A coordenadora foi bacana. Me surpreendeu até. Disse que você já se adaptou a muitas mudanças - como a troca de babás - e que ela acha que você vai se adaptar sim, mas que a escola estará sempre aberta para te receber. Saí um pouco triste, confesso. Mas, como diz seu pai, ouvimos muita coisa que fortalece a escolha de uma escola que parece ter muitos componentes para captar o seu interesse. É um lugar muito bacana também. E, se o afeto não vir, a gente tá pronto para voltar atrás. Porque você filho vai extrair o melhor de onde você estiver. Como disse a Simone: o trabalho com você precisa ser artesanal. Pode ser uma coisa simples, mas tem de ser interessante. É o que a gente busca em tudo na nossa relação com você. Foi um orgulho! Você é o nosso orgulho.

11 de outubro de 2011

QUIZ DOS ANIMAIS - Dois anos e oito meses!

Passou rápido, viu?!
Hoje acordou na minha cama, porque eu abri o precedente no fim de semana ao te permitir dormir comigo. Também, a carne aqui foi fraca. Sem o seu pai em casa e apaixonada por você, calculei que não teria tanto problema, já que durante a semana quem te põe para dormir é a babá. Mas durante a madrugada você acordou e foi bater na minha porta.
Bom, te levei para o clube cedo para brincar, porque ficar em casa ninguém merece. Depois do almoço, estava escovando seus dentes para ir para a escola. Aí, ainda no banheiro, fui te colocar no chão, depois de lavar o seu bumbum e você caiu subitamente. Eu, surpresa, suspirei: "Filho!". De repente, você responde: "Caí de maduro!" E eu, na risada, claro. CAÍ DE MADURO foi demais, gente! Achei muito engraçado. Como se apropria dos termos, ainda que eles não sejam pronunciados com tanta frequência? Brinco com você, às vezes, dizendo que caiu de maduro, quando tropeça... mas você dizer isso foi novidade. E foi assim, sem pensar. Saiu. Passei o dia lembrando com gosto da história.

PRESENTE do DIA DAS CRIANÇAS
Te deixei na escola e corri para o shopping para comprar. Você já havia encomendando um patinete. Já tinha uns dias que vinha pedindo insistentemente. Isso e uma fantasia do Buzz. Mas essa o papai deve trazer do México. Bom, acabei comprando o único da loja, que é uma graça. Acho que você vai amar. Aí, caí na besteira de ligar depois da sua escolinha e contar: "Filho, comprei seu presente!" Pra que? Você pirou, claro. Aí, fui obrigada a contar o que era depois da sua insistência. Falei: "Adiviinha!" E você: "Pa...". Eu: "Ti...". Você: "Ne-te!", dividindo as sílabas. rs! Só não conseguiu me esperar para ganhar hoje. Ainda bem. Tomara que não acorde à noite querendo.
Detalhe que, durante a semana, eu vinha dizendo que você precisava merecer, porque senão não ia ganhar presente. Você me respondeu: "Vou sim, é dia das crianças!" Ô menino! E nem fui eu quem falou da data, hein!

ÍMPAR
Quando cheguei, fui conversar sobre você com a Dorinha. Ela disse que você contou para o porteiro da escola que ia ganhar presente. Aí, o seu Adaílton perguntou o que você ia dar para ele. A resposta veio logo também: "Você não é criança!". Só sei que no fim, ele insistiu e você disse que ia dar um boné do São Paulo. Como assim, São Paulo? A babá disse que você sabe que ele é sãopaulino!

QUIZ DOS ANIMAIS

Dorinha me contou ainda que, depois da escola, na hora do seu banho, ficou brincando com você sobre masculino e feminino dos animais. Vamos ao registro:
Já no primeiro, a surpresa. Ela diz: "Qual é a mulher do cavalo?" Você: Égua!, pra surpresa dela, claro.
Depois:
- Jacaré...
JACARÉIA!!! Ela: "Não!" Você: JACAROA!!! Boa, filho! Como sabe que as terminações no feminino costumam ser assim? Que feeling!
- Boi...
BÓIA! ahahhaa. Essa eu tenho absoluta certeza que foi um sarro! Quem sabe égua sabe vaca, ainda mais você!
E a brincadeira continuou.
- Macaco...
MACACA, rachando o bico, segundo a Dorinha.
- Cachorro...
CACHORRA, respondeu, dando risada.
- Girafa...
GIRAFO!
- Tigre...
TIGRO! Difícil essa. Mas vai aprender rapidinho, já até sei.
E ainda teve o ZEBRO... para ficar nos mais difíceis e engraçados, segundo o relato.
Achei o máximo. Tinha que registrar!

7 de outubro de 2011

DECOLANDO

"Vamos deco-lar!", exclamou a babá hoje cedo, na saída da garagem, a caminho do clube. Você, imediatamente: "Não! Aqui não tem asa!", mostrando o carro. "Ó, não tem asa... não é avião!", completou. Agora me explica, como pode essa noção exata das coisas aos 2 anos e 7 meses? Ok, faltam cinco dias para fazer dois e oito, mas ainda assim é muita esperteza para uma cabecinha só.
De novo, isso me faz pensar no tanto que você não depende dos estímulos de uma escola para criar. Essa história de decolar aí apareceu nos nossos voos para BH... Mesmo assim, confesso que estou tomada pela dúvida com relação à escola. Fica onde está, na escolinha que gosta e que já tem os coleguinhas, do lado de casa? Ou vai para a que a mamãe e o papai ficaram inebriados, um pouco mais longe, mais cara e mais surpreendente? Ô dúvida! Com o papai no México, tá difícil prosseguir nesse assunto.
Vou pensando... sozinha mesmo, porque já descobri na análise que tenho inúmeros motivos para estar nessa "luta" interna com relação à escola. Tem a ver até com o meu jeito certinho de ser, que não me permite arriscar tanto quanto eu gostaria. Por isso, o trabalho aqui continua, porque uma hora eu ainda encontro mais um caminho bacana, graças a você. Aliás filho, graças a você eu estou DE-CO-LANDO!

17 de setembro de 2011

Declaração de amor

"Mãe, você é linda!", repetiu mais uma vez depois de ter feito a mesma declaração para mim e para o pai outras vezes durante o dia. E teve mais: "Eu tenho duas mãos... pra fazer carinho", disse enquanto me acariciava no rosto e a você mesmo deitado, agora há pouco, antes de dormir. Um jeito lindo de terminar um dia que foi muito gostoso.

SÁBADO DE SOL E UM FRIOZINHO

Tudo certo, familinha unida, tempinho bom, todo mundo no clube. Ficamos lá durante a tarde, porque demorei muito para sair de casa. E não fiquei nem um pouco preocupada, olha que maravilha?!
Você filho encontrou com os amiguinhos mais velhos e reviu a Nicky, irmã do Juan que foi colega do playbaby durante todo o ano de 2010. Há muito tempo não se encontravam e o carinho daquela época permanece. Ela cuida de você e você fica colado nela. Ficaram lá no tanquinho de areia um tempão, numa boa...
Jogou bola com o Fernando, cinco dias mais novo...E aceitou tranquilamente dar uma bala para as crianças que estavam por perto. O pacotinho da frutella de morango - lembro da minha adolescência no Pitágoras, em BH, quando essa bala foi lançada - sumiu rapidinho.
Na volta, apagou no carro como prevíamos. Dormiu comigo na nossa cama umas duas horas - fim de semana durante o dia pode, sem que isso tenha sido instituído assim - e depois desceu para ficar com o pai enquanto ele fazia um Carrè de agneau maravilhoso. Jantamos juntos, assistimos um pouquinho de Discovery Kids e deu a hora do banho... tarde, tarde. Já eram 22h20, mas é mais uma constatação da minha flexibilização. Tem sido assim, filho. Mamãe está, aos poucos, se tornando mais levinha, menos preocupada, mais tolerante, mais compreensível com o seu comportamento. Continuo atenta, rígida, empenhada na educação, mas estou conseguindo me libertar da preocupação constante com tudo: a energia ligada no 220, a roupa de frio, a reação com as outras crianças quando é contrariado, a briga com um xixi ou um cocô fora do lugar para chamar a atenção. Tô dando duro na análise para conseguir isso, mas tá valendo a pena, porque as coisas estão ficando mais leves e o resultado com você é maravilhoso. Hoje você foi nota mil. Nós também! Você é lindo.

11 de setembro de 2011

Ai, perdeu o sotaque mineirinho..."apaulistanou"!


Começou no dia 28 de agosto, cerca de 15 dias depois de você completar dois anos e meio. Eu reparei logo de cara. Era um sábado de folga e você falou: "Mãe, vamos ver Três PoRIquinhos!" PoRIquinhos?! Ai, meu Deus! Depois, falou gaRIfo (garfo) ... e eu tive certeza: não tinha mais jeito, estava mesmo perdendo o sotaque da mamãe, que predominou desde o início da sua fala. Sotaque que fez até você ser chamado de "mineirinho" pela primeira professora na escola, a Dinha. Logo gritei: Marco, você percebeu isso?!" Meu coração ficou pequeno porque adorava que você falasse do meu jeito, com o R mineiro. Na verdade, só tive consciência disso quando você "apaulistanou". Quando me dei conta, disse: "Filho, você é paulistano!" Sabe a resposta? "Não, mãe. Eu sou Corinthians!" Ai, Jesus! Rs. Aí fui explicar que paulistano é quem "sai da barriga da mãe em São Paulo". E que eu era belohorizontina, porque saí da barriga da minha mãe em Belo Horizonte. Você, tentando reproduzir ficou dizendo "bilorizongo!" rs. Bem, naquele primeiro fim de semana o R paulistano ainda estava difícil. Tinha um som muito nítido de I depois do R. Ainda era a transição... mas agora, dois fins de semanas depois, você já incorporou totalmente, perfeitamente. "Porta, quarto, short, Marco, garfo, tudo tudo tudo é com o R que você bem expressou no começo, como se tivesse som de RI. Só que agora flui naturalmente. Quem ouve, não percebe que você está mudando a forma. Detalhe: toda vez que eu te imito, aí você corrige para o R mineiro, dando sinal claro de que percebe a diferença quando repito. E meio que tentando se corrigir, como se o jeito novo não fosse certo. Eu só repito porque é surpreendente que tenha sido tão rápida a transição. Você não precisa mais se esforçar para falar como os coleguinhas, a professora e todo mundo mais por onde você anda, afinal, filho, você é paulistano!

OBSERVAÇÃO: Fez dois anos e sete meses hoje, 11 de setembro. No meio da tarde fomos à Playland com a Tia Lidi e Sarinha e tia Laura, Lucas e Daniel. Eu não acreditei que ela estava com os dois, mas foi bacana.

Você era o mais ativo, corria o tempo todo, para todo lado... mas foi uma delícia. Afinal, estar com eles é sempre uma maravilha. Pena que a gente não consiga mais se ver como era na época das nossas primeiras barrigas, grávidas juntas. Na despedida, fotos (feitas com a máquina da prevenida Tia Laura) e muitos abraços.

A impressão que tenho é de que, até entre vocês, é como amizade antiga. Podem ficar um tempão sem se encontrar que quando se veem é como se estivessem sempre juntos. Tem as brigas, claro, mas rola afinidade. Isso é uma delícia.

23 de agosto de 2011

Fa-la-ção!


Hoje me dei conta de que tinha de parar para escrever um pouco sobre você, que está im-pos-sível! Que você não me ouça! Digo isso porque até na análise cheguei à conclusão de que gasto energia escolhendo as palavras para você não se prender às características que elas carregam. É duro gastar energia com isso, mas não quero que seja sempre impossível, então, evito falar. Mas a verdade é que você está da pá virada, de "tirar picapau do oco", como diz seu avô Agripino. Ou de tirar picapau do "roco", como vc diz. Muitas vezes eu tenho mesmo vontade é de dizer que você é do "cu riscado", para usar uma expressão cômica que ouvi da Aline, minha prima, numa ida a BH. Ela falava de outra pessoa, mas foi engraçado. Bem, a motivação agora são as suas novas conquistas verbais. Vamos começar por hoje.
Partindo da dificuldade que tem sido te fazer vestir roupa adequada para esse frio polar que atinge SP. Gente do céu - até suspiro -, como isso cansa! Toda manhã é o mesmo desgaste, a mesma chateação, porque você já acorda dizendo: "Vou colocar um short e uma camiseta!" Já disse que a gente tinha de morar na linha do Equador! Ou na Bahia... na viagem de julho foi uma delícia. Mas aqui, desde o começo do inverno eu insisto que não vai ficar com roupa de verão nos dias frios... e, dois meses depois, você só me provoca. Como? Tô na rua e você bem vestido em casa, depois de dar trabalho, claro. Até com a babá insiste pra ficar com roupa de verão. Antes, conseguia...mas agora a gente tá na batalha juntas - ela ainda é mais tolerante. Bom, aí eu apareço e você, do nada, lança a frase-flecha: "Mãe, vou colocar um short e uma camiseta!" Eu já reagi de todas as maneiras possíveis. Tem horas que ignoro. Em outras, parto para a luta. É... aliás, era uma luta. Hoje resolvi colocar em prática uma sugestão da minha fisioterapeuta, Ariane. E não é que funcionou?!
Foi assim: enquanto me vestia para ir ao trabalho estou ouvindo você falar com a babá: "Eu vou colocar um short!", de novo isso. Aí ela disse algo do tipo: "Não Rafael..." E você: "Eu não vou discutir com você!" Haahahahhahahahaha! hahahahhaha! "Eu não vou discutir com você" foi ótimo. Uma reprodução perfeita do que eu te digo quando a gente começa a falar de roupa! Daí, quando vi que você estava de cueca, andando pela casa, querendo arrumar confusão, fiz: "O que foi? Ponha uma calça!" Aí você foi na gaveta - como sempre faz - para escolher. Estávamos querendo te fazer dormir, já que eram quase 15h e eu não te mandei pra escola por causa da gripe que você pegou nessa ladainha. Aí você pega uma calça jeans e diz: "Vou por essa!" Ô mania de trocar de roupa, gente!!! Ficamos eu e a babá tentando te fazer mudar de idéia, até que resolvi: "É o seguinte: você vai colocar esta calça mole (de moleton). Mas você pode escolher! Quer à força ou por vontade própria?", escondendo o medo de que não desse certo. Ai, meu Deus, tinha que dar! Você ainda arriscou, só para me testar: "À força!" Eu repeti: "Tem certeza, à força?" Até que você cedeu, rapidamente: "Não, própria, própria!" Foi cômico! Eu até nem aguentei, mas tentei fingir que não era risada e sim um espirro! Entreguei a calça na mão e, segundos depois, ela estava vestidinha! Ai que benção! Essa foi linda! Já estou torcendo para pegar. O "vou contar até três!" já funciona para muitas coisas. Foi uma conquista!

FALA DE TUDO

De tudo mesmo! No teatro, no domingo, na peça do Chapeuzinho Vermelho, dizia, sentado entre mim e o papai: "Eu não tô com medo! É um homem fantasiado de lobo... É uma mulher fantasiada de Chapeuzinho!", assim mesmo! Inacreditável! Hoje pediu para ver as fotos dos "atores". Aí disparou: "A vovó era a mãe!" Para confirmar, perguntei: "O que? Como você sabe que a vovó era a mãe?" Achei que você não tivesse percebido que a mesma atriz fez os dois papéis. Aí você completou, com perfeição: "É... era a mãe. Depois ela se vestiu de vovó!" Gente, gente, gente! "Se vestiu" foi demais pra mim. Nem eu acredito que você fala tão certinho, apesar de te estimular e corrigir com delicadeza seus erros, assim: "Filho, não é assim que fala. É assim...", e explico. Hoje Dorinha, a babá, estava dizendo: "As crianças não falam plural. Ele fala direitinho... "Os papéis", deu o exemplo. Betânia, a empregada completou: "A moça que trabalhou aqui dizia que a dona Priscilla deveria levá-lo para televisão!" Elas insistem para eu te levar para fazer comercial, porque você vai falar tudo. Seria engraçado... mas a mamãe não tem tempo! E está feliz com o seu desempenho entre os conhecidos mesmo, sem precisar te exibir na TV. Rs!

MAIS

Outro dia, ouviu o pai falar um "Ai!!!" alto e fez: "Dramático!" Ouve tudo!
De vez em quando fala comigo: "Calma mãe!" hahahaha.
Vira e mexe se gaba: "Eu sou esperto!" rs.
Sobre os peixinhos em Morro de São Paulo, na piscina natural, que escaparam de você, que tentava insistentemente segurá-los, reproduz: "Eles fugiram... eles são espertos!" E já chegou a dizer: "São mais rápidos do que eu!", exatamente como eu te expliquei.
Você tem uma capacidade de reter informações e vocabulário incrível. Por isso, até a gente se surpreende. Na escola, outro dia, a filha da dona, que também trabalha na coordenação disse: "Ele tem cada argumento! Você vai sofrer!" Como se eu não conhecesse, né?!
Ah, e as relações? Sabe quem é mãe de quem, quem é pai de quem, sobrinho, neto, tio, etc... Ex: "O que você é do tio Pedro?". A resposta: "Sobrinho!". Ou então, quando está contando uma história, diz: "O seu pai fez tal coisa... ", se referindo ao avô, meu pai! É engraçado!
No mais é isso. Fiquei lembrando dos primeiros registros sobre falação, antes dos seus dois anos de idade... Quem diria agora, com dois anos e meio, recém completos. Você tá que tá!

3 de julho de 2011

"Você é mãe daquele menino? Ele é um barato!"


Mais uma da série O QUE FALAM DE VOCÊ. Estava eu, no taxi, sexta-feira, dia 01/06, indo para o trabalho. Chamei um do ponto da esquina, já que o meu carro estava na oficina. (Foi consertar a mega batida de ré no portão de casa, graças ao freio de mão mal puxado na quarta-feira, véspera do Corpus Christi, quando cheguei voando em casa para tentar te pegar acordado por causa da febre). Bom, aí fui dizer para o taxista do ponto que eu não o conhecia, mas que achava até estranho já que conhecia quase todos. Foi quando disse: “Até o meu filho de 2 anos conhece todo mundo!” Daí ele disparou a frase título deste post: "Você é a mãe daquele menino? Ele é um barato!” Não lembrava o seu nome, mas disse que quando você aparece na rua, todos dizem: “Olha ele lá, vamos ver o que ele vai aprontar hoje!” E eu rindo, já de início. Daqui a pouco ele, que se chama Júnior, conta que te veem no skate, tentando se equilibrar e ficam tensos… achando que vai cair. Mas que você fica lá, se mostrando, mais ou menos assim: “Ó, tô no skate!". Ele disse ainda que você chega no ponto e canta aquela música, nas palavras dele próprio: “Quero não, posso não, minha babá não deixa não! “ e ria… Aliás, ríamos! Foi engraçado! Ele contava as coisas surpreso. Dizia que você era demais, que falava tudo… que como podia cantar essa música? Que todo mundo não se aguenta, que você é diversão garantida. Acho que essa música é da época da babá Gisele, que ouvia rádio sem parar, inclusive na sua companhia. Mas eu já sabia que você conhecia a tal música porque uma vez emendou um trecho no que o Lúcio, repórter amigo do seu pai, estava cantando no clube. Foi engraçado.


Depois, ao falar do skate, ele dizia: Gente, imagina o que esse menino apronta em casa… ou algo assim. E eu, toda levinha, pós-sessão de análise, feliz da vida com o meu novo Rafael e com a minha nova versão mãe. Estamos os dois muito melhores. Enquanto ele contava, eu enchia o peito de orgulho e de reflexão: “Que coisa, olha como o Rafael é mesmo um menino conhecido, simpático, que marca presença, de quem as pessoas gostam, que faz amizade fácil, falante, conversador, contador de história, cantor, dançarino, skatista!” Só conseguia ver as coisas boas da sua personalidade durante todo o caminho até o trabalho. Essa capacidade coincidiu com a minha alegria de mais cedo, ao contar na sessão que você estava mais amoroso, mais calmo, menos agressivo, menos mandão. Que o feriado na casa da vó Nair, vô Agripino e tio Du, com tantos primos e tios, tinha sido só alegria. Bom, ainda tem tudo isso de forte na sua personalidade, mas o trabalho que eu tenho feito – na análise e com você – tem dado bastante resultado. Eu estava contando que tenho conseguido rir de algumas coisas, que me estresso menos com outras, que dou palmada no bumbum sempre que acho que merece, principalmente porque descobri e não tenho vergonha de admitir que não sou zen budista e nem pretendo me tornar! Mais: tenho consigo me expressar melhor na hora de te tentar fazer perceber que você só tem 2 anos, ao contrário do que você sente. Tenho te chamado de “Meu pequeno”, “Meu nenem”… coisas que você não gosta, mas que, como bem disse a psicanalista, “não reage com agressividade!”Nessa hora, que te trato dessa forma, somos um brincando com o outro. Verdade! Você faz que não gosta ou, pelo menos, tenta resistir, mas eu continuo e você nem bravo fica. Depois, tenho tentando insistentemente não demonstrar tanta admiração pelas suas capacidades motoras e verbais. Descobri que essa admiração aparente, minha e do seu pai, mais evidente ainda – já que ele, como um Nascimento legítimo, te acha incomparável e fora de série – faz com que você se sinta maior do que você é. Você é uma criança esperta, mas igual a todas as outras espertas. Articulada, mas igual às articuladas. Coordenado e igual aos coordenados, só que gosta de skate e isso impressiona. Estou trabalhando para que você saiba que ainda é pequenininho, que está crescendo, que não é grande. Por que? Porque é reconhecendo que é pequeno e vai aceitar que não sabe tudo, que vai respeitar hierarquia, que vai respeitar ordens, que não vai bater de frente com qualquer adulto por aí, se sentindo um gigante! Com você, que tem mania de grandeza, tem de ser assim.


TIJOLO E AREIA
Tudo agora é uma construção. Não tem nada de receita pronta na nossa relação. Nada de regra, de revista. Eu, inclusive, nem quero que me venham com receitas. Estou dando duro para encontrar um caminho nosso… que dê certo para gente. E descobri que estou conseguindo. Disse até na sessão que morri de rir quando soube, na quinta-feira, dia 30 de junho, que você tinha levado uma mordida na escola. Eu fiz: “Gente, como eu quis que ele levasse uma mordida quando eu estava desnorteada, querendo que ele parasse de morder. Para ver se, levando e doendo, parava de fazer nos outros. E agora, que tive de dar tudo, sofri, me reinventei, me aparece a mordida?! Não podia ter vindo antes, para ajudar?” Talvez tivesse sido mais fácil, mas a consciência que eu tenho hoje me faz perceber que não teria sido tão rico. Foi duro, mas é rico saber que eu sou capaz de construir caminhos para fazer de você um menino legal… um menino admirável. E ter orgulho de dizer, como uma vez ouvi da Letícia, mulher do Lúcio, ao falar da filha: “Isso daqui – mostrando a filha – teve um trabalho danado. Eu tenho orgulho!” Você também deu e ainda dá um trabalho danado. Mas agora, muito menor. E o resultado é um prazer. Como disse ao seu pai, descobri que tenho pós, mestrado, doutorado e estou fazendo pós-doutorado em você! Filho do céu, como bem falou o taxista, “você é um barato!”

3 de junho de 2011

"Rafael, o famoso!"


Foi o que ouvi hoje da tiazinha, sócia-fundadora da escola, ao te entregar, no início da tarde. Fui embora achando engraçado e feliz da vida, porque lá, depois de tantas mordidas, você se transformou num menino bacana. Mas a fama que fez com que ela fizesse a afirmação foi causada pelo seu amor ao microfone. Bom, pelo menos foi esse o comentário que o sobrinho e funcionário, Paulo, fez. Explico: todos os dias, no fim do turno, a Silvia, funcionária e filha da dona, anuncia o nome das crianças quando os pais chegam, para subir a rampinha, em direção à saída. Como você não vai se lembrar mesmo disso quando crescer, achei bacana deixar registrado.
Bem, eu, que só te busquei duas vezes, desde o início do ano, já ouvi o seu nome ser chamado e sei como é prazeroso ver o filhote aparecer na rampinha. Na sexta-feira passada, quando fui te pegar, quase morri de alegria ao te ver subir, puxando a mochilinha. Na verdade, não sei quem estava mais feliz, eu ou você! Nesse dia, seu nome foi anunciado: ˜Rafael, grupo 2!" Ai, meu Deus! Pessoinha de compromisso, com nome e turminha, chegando ao fim do expediente! Pois então, quando você termina de subir, sempre pede para chamar as outras crianças, cujos pais aparecem. A babá já me contou essa história. Mas eu ainda não testemunhei. Comigo você quis ir logo aproveitar a pracinha vizinha. Um dia ainda quero ter o prazer de ver. Betânia contou que a Silvia, às vezes, não tem muito interesse de ter você por ali não, mas, na maioria dos dias, cede o microfone e deixa você fazer a chamada, como: “Luísa, grupo 2”. Ela conta também que, se dependesse de você, ficaria ali o fim de tarde, anunciando os nomes. Todo dia pede para moça: “Deixa eu falar?!” De tão ativo, diferente, curioso, falador, entrevistador, já ficou conhecido por todo mundo na escola também. É uma coisa: você tá mais popular que seu avô Marcos, lá em BH. Conhece todo mundo e é conhecido por todos. Nas ruas do bairro, no posto de gasolina, no clube. Por onde a gente anda, é assim. No dia que voltei andando com você da escola, na rua de cima, perto do hospital, te mostrei um cachorro. Quando fui dizer que não precisava ter medo porque estava solto e a moça estava perto, ouvi: “Rafael, você passa aqui todo dia, tá com medo do Paco?” Ai, meu Deus. A moça que cuida do cachorro te conhecia. Mais à frente, mais um: “Oi Rafael, vai cantar o sambinha hoje?”, perguntou o guarda da rua, seu Orlando, uns 60 anos, pelo menos. Você não pensou duas vezes, começou a cantar todo animado… mas continuamos na caminhada de volta para casa, deliciosa ao seu lado. Ô coisa gostosa. Até esqueço a trabalheira que você dá. Ou melhor, até alivia o cansaço… porque você DÁ TRABALHO! Nessas horas, só aparece o orgulho e a felicidade de ser sua mãe.

29 de maio de 2011

“Você é linda, linda, linda…tanto!”


Dormiu assim, fazendo declaração de amor. Que delícia! Te fazer dormir como antigamente, no trabalho anterior, é tão maravilhoso… eu amo! Morro de saudade e, nos fins de semana de folga, é o meu grande prazer. Tomei a iniciativa de escrever porque agora não paro mesmo, para escrever nunca… e o tempo vai passando, as histórias vão rolando e eu, perdendo a linha do tempo… Mas vamos lá. Há algum tempo tenho querido fazer um registro para nós mesmos, eu e seu pai, principalmente. Sobre o seu progresso. Sobre o nosso progresso!

O INÍCIO

Tudo começou assim: fomos chamados na escolinha, no fim de abril, para saber sobre o seu comportamento e a quantidade de ocorrências de mordida. Do início do ano até ali, tinham sido nove. “Fora as que a escola tinha conseguido evitar!”, nas palavras da coordenadora. Eu já sabia que o bicho tava pegando, porque você me contava: “Mãe, mordi fulana.” Todo dia era uma vítima e eu, vítima diária, desesperada. Sem saber o que fazer. E pensando: “Meu Deus do céu, onde foi que eu errei?”. De tanta angústia, seu pai voltou com um papelzinho com o nome de uma psicanalista, especializada em criança. Ai, que alívio foi aquilo, gente. Passei o feriado da Semana Santa, junto com vocês numa pousada linda de Monte Verde, torcendo para chegar segunda-feira e ligar para a bendita. Dito e feito. Marcamos naquela semana mesmo. Pra resumir, já descobrimos de cara que você tinha de perder PODER. Saímos da sessão e fomos almoçar juntos e a minha cabeça pensando a trezendo milhões de megabites (nem sei se isso existe) por segundo! A descoberta de onde tínhamos que começar foi um alívio. Mas de uma semana para a outra, não foi fácil colocar em prática. Tivemos muitas desavenças. A coordenadora já havia sinalizado, na escola, que você tinha que perder. Mordeu? Perdeu. Vai embora da festa, da casa de quem for, perde um brinquedo, um presente… alguma coisa. Mas seu pai discordava profundamente. A segunda sessão foi decisiva. Eu saí de lá angustiada, mas diferente. De lá até ontem, praticamente não dei um grito sequer. Deixei a minha histeria de lado. E seu pai foi deixando de ser só bacana. Passou a me apoiar nas decisões de tirar poder. Como? Aceitando que eu tomasse o seu skate, ou qualquer outro objeto importante para você, mostrando que ERROU, PERDEU! Isso também ajudou na minha transformação e, quase que milagrosamente, você mudou. Tem algo mais, importantíssimo. Para me proteger, o meu marido apareceu na relação de nós três. Agora, se você me ataca, eu chamo o meu marido. O engraçado é que, no primeiro dia em que eu disse que ia chamar o meu marido, você perguntou: “Quem é o seu marido?” Gente do céu, foi demais!!! Pá, pum! Da análise para a prática. E por que a importância do meu marido? Porque ele me protege e é muito maior do que você! Ou seja, é você perdendo poder. Pra que dizer tudo isso? Para deixar registrado que, foi duro, mas parece, agora, simples assim. Quase 20 dias depois, fomos chamados na escola. Você já vinha me contando, havia duas semanas, que não tinha mordido ninguém. Eu, ao ligar do trabalho, deixei de reproduzir a forma da vovó Paula, com o tio Pedro: “Foi harmonia ou confusão?” Todo dia era confusão e eu me arrependia de perguntar. Aí passei a dizer: “E aí, como foi na escolinha, hoje, filho?” Cruzando os dedos, claro. E você começou a responder, diariamente: “Mãe, hoje eu não mordi ninguém!” Eu vibrava, alias, vibro! Dou parabéns, falo que a professora deve ter ficado muito feliz, falo que amo e mais milhões de elogios. E tenho certeza que me transformei na mãe mais feliz do mundo!, de novo. Rs.

A TRANSFORMAÇÃO

A coordenadora quis nos ouvir. Resumimos o nosso aprendizado, as nossas descobertas, a nossa mudança. E ela disse: “Criança responde muito rapidamente às mudanças. O comportamento do Rafael aqui é outro!” Que benção! Depois, disse que os colegas agora estavam tendo a oportunidade de conhecer o outro Rafael: engraçado, conversador, que gosta de contar histórias. As crianças tinham medo. Valentina dava ré quando você passava por perto. E mesmo quando não tinha a intenção de se aproximar dela, ela dizia: “Rafael, você não vai me bater não, né?!” Ai, meu coração ficou partido quando ouvi. Parece que revivi a angústia do mês-problema. Eu já estava até com vergonha das outras mães – que sabiam da sua fama, claro – e pensei até em te tirar para poupar os outros. Mas não faria isso nunca, porque sabia que isso seria pior para você. A coordenadora até disse que já teve caso assim. E eu fiquei pensando: “Coitado da criança filha dos pais que tomaram a decisão!” Bom, ao descrever o seu progresso, o que nos encheu de orgulho, a coordenadora disse que você tinha tentado morder, uma única vez, depois da nossa mudança, mas que você tinha ficado extremamente frustrado na situação. Antes, não podia nem ficar contrariado. Queria dominar tudo, decidir tudo, se impor. Na base da mordida. Ex.: brincadeira. Já tinha passado a sua vez e você dizia: “É a minha vez!”A professora: “Não é… você já foi. Agora é a vez dela!” Você ia lá e mordia a coleguinha. Não sabia ser contrariado. Queria mandar em tudo. Nunca tinha perdido nada na vidinha. Como disse a psicanalista: “Não perdeu o peito (eu que deixei), não perdeu a babá (quando trocamos recentemente por causa de inúmeros problemas que estavam refletindo bastante no seu comportamento e te tornando mais agressivo) – no dia em que ela foi embora você ganhou o presente dos seus sonhos, o skate; nunca perdeu nada, né?!”
Ouvir isso foi uma mensagem e tanto para mim. Graças a Deus você não perdeu nada importante – e que continue assim – mas perder poder, estava mesmo precisando. Isso fez de mim uma mãe ainda mais falante. Antes, não queria por a blusa, fazia birra e ouvia, na força: “Vai por porque tá frio!”, ou algo do tipo. Agora é assim: “Vai por porque tá frio, eu sou a sua mãe, eu sei o que é melhor para você, não tem nem que discutir! Tem que por!” e se vierem os trezendo porquês, respondo todos… e a blusa entra, muito mais facilmente. Sem escândalos como antes. Eu sou a mãe, eu estou no poder.
Bom, ainda na escola, no fim da reunião, a coordenadora disse: “Vocês estão de parabéns. Eu nunca tive um caso em que os pais buscassem a solução tão rapidamente. Há casos aqui em que a criança está no jardim 1 – com 5 anos, mordendo!” Eu e seu pai ficamos felizes pelo reconhecimento mas, principalmente, pelo resultado. Até na análise foi assim. Eu cheguei lá achando que a gente ia passar uma vida para tentar resolver as nossas diferenças. E, na terceira sessão, de ANÁLISE - não é aconselhamento, reforço – a psicanalista disse: “Acho que a gente encontrou um caminho aqui, né?! Foi muito rápido até… e isso é muito bonito!”. Fiquei orgulhosa de mim e do seu pai, filho. Casamento não é coisa fácil, mas é muito bacana quando a gente consegue se encontrar no que antes parecia inegociável. A gente saiu do ângulo de 90 graus e começou a andar paralelo. Isso é parte da sua história. É herança bacana de negociação, de tolerância, de força de vontade, de persistência e coragem. Nós tivemos coragem, muita coragem, para fazer de nós pais melhores, e, de você, um filho melhor e um menino melhor. Um aluno melhor, um coleguinha bacana. Estamos na luta, junto com você, porque você há de ser um cara bacana. Um amigo do bem, um homem corajoso e batalhador, mas que respeita os outros, um Fefel admirável! Você é lindo, lindo, lindo! Tanto!